Cultura
Uma semana para celebrar 133 anos de diversidade cultural
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Caxias do Sul comemora aniversário com farta variedade de atrações no calendário e de origens no povo
133 anos após a emancipação política, Caxias do Sul comemora a semana de 14 a 20 de junho com farta programação (disponível neste link). E um inédito bolo gigante sabor baunilha recheado com doce de leite e chocolate, elaborado por alunos e professores do curso de Gastronomia do SENAC, com apoios de Roseflor Alimentos, MultiMercados e Big Festa, que promete abalar as estruturas dos compromissos de baixa caloria da população na Praça Dante Alighieri, dia 20, às 15h.
Mais do que pelo próprio significado, a data merece lembrança quando, com certa frequência, muitos dos próprios caxienses tendem a esquecer de que matéria é feita Caxias do Sul. Um bom indício pode estar em uma escola, como tantas outras, de um bairro industrial do município.
Dos 642 estudantes matriculados na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Marianinha de Queiroz, 52 são estrangeiros – ou têm origem estrangeira. Quase 10% do total. Quase duas salas de aulas cheias. Não é uma exceção na rede municipal de ensino, onde há aproximadamente mil crianças e adolescentes que não falam português (o número não para de crescer). Alguns estão aprendendo. Outros estão ensinando professores a arranharem os rudimentos do espanhol, do francês, do wolof ou do creolle. Inglês quebra o galho para os dois lados.
Não é sequer o caso mais expressivo entre as escolas mantidas pela Secretaria Municipal de Educação (SMED). A vizinha EMEF Abramo Pezzi, por exemplo, ostenta número ainda maior de venezuelanos. Mas é na variedade das bandeiras internacionais que o Marianinha se destaca. Reunidos para um bate-papo sobre as experiências e vivências em solo caxiense, alunos e familiares de diversas origens fazem a biblioteca da escola do Bairro São Cristóvão adquirir dimensões globais.
“A vida do imigrante é dor e sofrimento”, proclama o haitiano Teófilo Milissete, o mais extrovertido e porta-voz não oficial do grupo.
Mas nada nem perto da filha, estudante do 2º ano – esta sim, um fenômeno. Não só da capacidade pessoal de comunicação. A espertíssima Maria Luisa Padilha Milissete se constitui em um exemplar cada vez mais raro de caxiense: é nascida em Caxias do Sul. E representa o futuro do município que se orgulha de possuir e exibir, em um de seus principais acessos, um monumento nacional dedicado ao imigrante.
(Para quem está preocupado com o quão estranho possa ser este futuro, eis a imagem: uma jovem com o cérebro funcionando a 200 quilômetros por hora e um pai fazendo o que pode para alcançar. Soa familiar?)
“Trabalho existe, mas é difícil. Muito difícil. Tem que persistir, porque você sabe que a sua mãe, seus irmãos, todo mundo que ficou para trás está contando com você”, afirma.
Ao contrário do que alguém possa imaginar, portanto, o imigrante não renuncia a uma imensa fatia da própria vida para se livrar de bagagem indesejada. Mas para carregar mais.
“Ninguém deixa sua casa, seu país e sua família para trás porque quer. Quando você sai, você assume a responsabilidade sobre todos os que ficam. Até para decidir o dia em que enterram quem morre, porque depende do seu dinheiro. E você sabe que não vai conseguir voltar para se despedir”, descreve Teófilo.
Barriga cheia, criança feliz
Sempre pode haver um nível adicional de complicação para quem toma a (mais dura do que parece) decisão de tentar a vida em um país desconhecido. Segundo Yordany Moises Ramires Bonalde, marido de Luisanny Del Valle Ramires Morero e pai de Angel David e Moises David, é um pouco mais fácil de se encaminhar a documentação necessária para a regularização e busca de trabalho no Brasil para os emigrados do Haiti. Quando se é venezuelano é que a coisa complica.
“Há casos muito urgentes e a dificuldade para se conseguir a legalização é enorme. Chega a demorar seis meses para quem vem da Venezuela. E enquanto isso, não se consegue trabalho. O refugiado é uma pessoa sem documentos”, explica.
Residente nacional há cerca de três anos, apenas há poucos meses Ramírez conseguiu regularizar a papelada. E entrar para um segmento de trabalhador que está gravado a fogo no código genético de Caxias do Sul: o dos metalúrgicos. Até conquistar a vaga, porém, foram tempos de luta pela sobrevivência em borracharias, postos de combustíveis e lavagens de carro.
“Foi um pouco mais difícil para quem chegou no meio da pandemia”, revela.
E um pouco mais difícil para quem cruzou a linha da Venezuela com o Brasil por Pacaraima, em Roraima. Aí, o relato se assemelha ao de um cenário de guerra – que muitos brasileiros, nativos ou não, se acostumaram (e isso, talvez, seja um problema) a ver em fartas doses nas imagens de noticiários, nos últimos três anos. Luisny Kariny Benavente Rojas passou três noites dormindo nas ruas da cidade fronteiriça antes de ser acolhida. Não foi exatamente um alívio.
“Vi horrores acontecendo no abrigo”.
Horrores no modo turbo: sozinha, Luisny trouxe sob sua vigília os filhos Luisangely, 13 anos, Yosneiker, 10, Yosneiber, oito, Yosneider, cinco, e Yosnir. quatro. O pai das crianças ficou para trás.
“É uma decisão muito difícil para uma mãe”.
Que foi tomada, para Luisny, quando o caçula foi diagnosticado com desnutrição (cujos sintomas exibe no corpo franzino) e o segundo mais novo da fila desmaiou de fome pela segunda vez. Outras duas crianças padecem de uma hérnia e complicações glandulares jamais tratados adequadamente.
Ela está realizada com o que encontrou em Caxias do Sul.
“A educação é muito melhor aqui. Na escola eles têm comida. Todos os dias. A escola liga para ver o que passou se um deles falta à aula. E nos ajudaram com roupas e cestas básicas. Até uma pessoa nos acolheu na moradia dela sem pedir nada em troca”, revela.
No que depender de Luisny, entretanto, o improviso tem data de validade para terminar.
“Somos muito gratos. Muito gratos. Mas não queremos viver de favor. Sou trabalhadora. Quero trabalhar”.
Em uma cadeira a poucos metros de distância, na biblioteca da EMEF Marianinha de Queiroz, no Bairro São Cristóvão, Jorge Alejandro Zapata Garcia acena positivamente com a cabeça para as palavras da compatriota. Ao mencionar o filho de 14 anos, comenta:
“Santiago, o meu mais velho, até já esqueceu como é passar fome”.
A caçula Alejandra Raquel, estudante do 1º ano, ainda chora. Mas o motivo agora é outro:
“Ela acorda a casa toda para vir para a escola”, ri o pai.
Não é caso isolado.
Yordani Moises Ramires Bonalde traz informações similares sobre os filhos Angel e Moises.
“Eles querem vir para a escola até no sábado e no domingo”.
O riso se espalha pelo recinto, pois a situação é idêntica em todas as casas.
Zapata, que perdeu 40 quilos para a fome na Venezuela, cala o grupo ao externar o sentimento que une cada uma das famílias na sala:
“Para o migrante, pátria é o povo que te dá pão”.
‘Todo mundo ganha alguma coisa’
Para professores e equipe diretiva da EMEF Marianinha de Queiroz, a súbita chegada de tantos sotaques diferentes tem sido um desafio constante. A maioria das crianças em idade de alfabetização traz – naturalmente – a língua materna como primordial. Vários apresentam algum nível de comprometimento – físico ou mental. E aí já surge um primeiro choque de realidade.
AEE, as três letrinhas, que quase qualquer família com crianças em idade escolar sabe que remetem à Atendimento Educacional Especializado, são uma novidade completa para vários dos recém-chegados. Alguns jamais passaram pelo serviço nos países de origem. Muitas vezes, porque ele sequer existe. E ao desembarcarem em Caxias do Sul, para muitos deles, o mundo se abriu.
“Temos o caso de um estudante com autismo que foi rejeitado em todas as escolas por onde passou na Venezuela. Ele não tinha sequer o diagnóstico quando chegou. Agora está totalmente vinculado com os professores. Temos outra que achavam que tinha deficiência, porque falava rápido demais, e, na verdade, agora ela está sendo investigada para superdotação e altas habilidades. Há outro, também com autismo, que sofria muito quando se desorganizava, e agora se maravilha lendo em português. A mãe chegou a chorar quando viu”, relata a professora Vivian Antunes da Silva, encarregada do atendimento de muitos dos alunos estrangeiros.
Não é fácil. Para lado nenhum. Vivian não esconde o receio de não dar conta da missão. O abismo que separa a novidade da zona de conforto. Mas revela que as recompensas são proporcionais.
“Há um espanto com a parte amarga, mas uma alegria muito grande com a parte boa. Uma mãe deixou de se desesperar pela primeira vez quando chegou aqui e viu que havia estrutura e protocolo para lidar com alunos especiais. Temos a Marie, que chegou nos anos iniciais falando creolle, francês, espanhol. E arranhando o inglês. Em quatro meses de trabalho, ela já estava lendo em português”.
A diretora Arlete Maria Pasquali aponta um traço característico dos emigrados.
“A disponibilidade e o interesse das famílias. Eles valorizam muito a escola. Os pais são muito presentes”.
Do outro lado, os estudantes brasileiros há mais tempo retribuem com curiosidade e satisfação em descobrir as diferenças na vida e nos lugares de origem dos novos colegas.
“As trocas são extremamente positivas para o aprendizado. Todo mundo ganha alguma coisa”, ensina Arlete.
O que há em comum
133 anos após a emancipação política e 148 anos após o início da colonização italiana, mãos de muitos matizes e de todos os tipos de calos sabem o que fazer com as cartas – sejam as de uma partida de escova, bríscola, ou aquelas que a vida dá. E não é só no dialeto típico das famílias que chegaram depois dos primeiros habitantes da região que se pode lamentar pelo lance de má fortuna. Na Caxias do Sul de 2023, a mesma farinha de milho que é matéria-prima da polenta também se transforma em arepa.
“É claro que todos sentem saudade. É claro que todos pensam em voltar para seus países um dia. Mas agora estamos aqui. Nossa vida é aqui”, afirma o haitiano Teófilo Milissete.
Às vezes, quem chega de longe apenas com a roupa do corpo, uma malinha modesta, a certidão de nascimento e a ânsia por conseguir um emprego pode até se tornar prefeito.
A vontade de conquistar o próprio sustento e ver o filho dormindo feliz de barriga cheia parece unir quilômetros e hemisférios de distância.
Fotos: Lucas Munaretti
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Com o tema “A luz que atravessa o tempo”, edição comemorativa fala sobre a memória e os vínculos entre gerações.
A 10ª edição de O Grande Espetáculo de Natal será realizada nos dias 28 e 29 de novembro, sábado e domingo, às 20h, na Praça Dante Alighieri, junto à Casa Magnabosco, em Caxias do Sul (RS). Gratuito e aberto à comunidade, o espetáculo celebra uma década de trajetória com uma nova produção artística que propõe uma reflexão sobre o tempo, a memória e os vínculos construídos entre gerações.
Com o tema “A Luz que Atravessa o Tempo”, a edição de 2026 apresenta uma narrativa que tem como ponto de partida a relação entre um avô e sua neta. Em meio aos preparativos de Natal, um poema escrito pelo avô conduz a jovem por uma jornada de descobertas, na qual diferentes experiências revelam a importância de perceber o mundo com sensibilidade, reconhecer a passagem do tempo, preservar as lembranças, encontrar coragem e compartilhar.
A história ganha forma por meio da integração entre música, dança, circo e poesia, em uma construção cênica que alterna grandes composições visuais e momentos de introspecção. Ao estabelecer conexões entre passado e presente, o espetáculo convida o público a reconhecer aquilo que permanece nas relações humanas e nas memórias que atravessam gerações.
Memória, encontro e esperança
Ao completar dez anos, O Grande Espetáculo de Natal reafirma sua relação com a comunidade de Caxias do Sul e as diferentes gerações que acompanharam sua trajetória. Desde sua criação, o projeto reúne artistas, profissionais da cultura, instituições, empresas e público em uma celebração coletiva que ocupa o espaço urbano e contribui para a construção de memórias afetivas associadas ao Natal.
Para Pedro Horn Sehbe, CEO, idealizador e diretor geral de O Grande Espetáculo de Natal, a celebração dos dez anos representa a consolidação de um projeto que nasceu com o propósito de reunir a comunidade em torno da arte e que, ao longo de sua trajetória, conquistou um lugar de destaque no calendário cultural da Serra Gaúcha. “Chegar à décima edição é a confirmação de que construímos algo que pertence à nossa cidade. O Grande Espetáculo de Natal nasceu de uma visão, cresceu com o envolvimento de muitas pessoas e hoje representa a força de uma comunidade que acredita na cultura e na capacidade da arte de transformar espaços, aproximar gerações e construir legados. São dez anos de trabalho, de investimentos e de compromisso com a entrega de um espetáculo de excelência, gratuito e acessível à população. Nessa edição, queremos celebrar essa conquista olhando também para o futuro, porque a luz que atravessa o tempo é aquela que conseguimos manter viva e transmitir às próximas gerações”, destaca.
Na dramaturgia, essa relação entre passado e presente se manifesta especialmente no encontro entre o avô e a neta. De gerações distintas, os personagens estabelecem um diálogo que aproxima experiências, percepções e maneiras de compreender o mundo. A figura do avô poeta conduz a narrativa a partir de um olhar sensível sobre os acontecimentos cotidianos, revelando como gestos, lembranças e experiências aparentemente simples podem adquirir novos significados ao longo da vida.
A poesia assume papel central nessa construção, estabelecendo conexões entre as diferentes cenas e conduzindo o público por uma história que encontra significado nas relações familiares e nas lembranças que permanecem ao longo do tempo. A proposta dialoga com a sensibilidade presente na obra de Mário Quintana, especialmente em sua atenção aos pequenos acontecimentos e à capacidade de reconhecer a beleza nas experiências cotidianas.
A narrativa também preserva elementos da tradição cristã do Natal, reconhecendo sua presença na formação das memórias e das celebrações familiares. Essa dimensão se integra à proposta artística de um espetáculo comunitário, que valoriza o encontro entre gerações, a convivência e o compartilhamento de experiências. Ao abordar sentimentos como amor, fé, esperança e solidariedade, a produção propõe uma reflexão sobre valores que permanecem significativos mesmo diante das transformações da sociedade.
Com direção executiva de Cali Troian, a décima edição também marca o fortalecimento institucional de O Grande Espetáculo de Natal, que vem ampliando sua dimensão artística, sua capacidade de mobilização e sua presença entre os atrativos natalinos da Serra Gaúcha. A articulação entre iniciativa privada, poder público e profissionais da cultura contribui para a continuidade do projeto e para o posicionamento de Caxias do Sul no calendário cultural e turístico do Rio Grande do Sul.
Novidades cênicas
Para marcar a décima edição, O Grande Espetáculo de Natal apresenta uma concepção artística que amplia as possibilidades de integração entre dramaturgia, música, dança, circo e recursos visuais. Figurinos, iluminação, efeitos especiais e elementos cenográficos participam da construção narrativa, contribuindo para representar as experiências e transformações vividas pelas personagens.
Com duração aproximada de uma hora, a apresentação será organizada em quadros cênicos que alternam momentos de impacto visual com passagens intimistas e contemplativas. A montagem contará com a participação do Coro Unimed, dos artistas do Grupo Tholl e da Cia. Matheus Brusa, reunindo diferentes linguagens artísticas em uma experiência concebida para o espaço urbano.
A trilha sonora, assinada pelo diretor musical Ivan Montanha, reúne canções natalinas que atravessam gerações e permanecem presentes na memória afetiva do público. Interpretado por mais de 60 vozes adultas e juvenis, o repertório acompanha o desenvolvimento da narrativa, estabelecendo conexões entre as diferentes cenas e contribuindo para a atmosfera de emoção e celebração que caracteriza O Grande Espetáculo de Natal.
Com roteiro assinado por Marcelo Andrighetti, em parceria com os diretores do espetáculo, a narrativa percorre diferentes universos cênicos, enquanto as coreografias de Matheus Brusa traduzem em movimento os sentimentos, as lembranças e as transformações vividas pelas personagens. A integração entre a dança, o circo do Grupo Tholl e a música do Coro Unimed dá forma a uma encenação que explora o contraste entre movimento e pausa, passado e presente, realidade e imaginação.
A abertura terá como referência o ambiente familiar dos preparativos de Natal, dando início à relação entre os personagens e ao percurso que conduz a jovem por diferentes experiências. Ao longo da apresentação, a combinação entre música, dança, acrobacias e elementos simbólicos permitirá ao público acompanhar uma história sobre o tempo, a memória e a descoberta de novos sentidos para a celebração natalina.
Ao reunir diferentes expressões artísticas em uma produção concebida para o espaço público, O Grande Espetáculo de Natal comprova sua proposta de aproximar a comunidade da experiência cultural. A celebração dos dez anos reconhece tanto a trajetória do projeto quanto o papel da arte na formação de público, no fortalecimento dos vínculos comunitários e na construção de referências culturais compartilhadas.
As duas apresentações são gratuitas e contarão com áreas destinadas à acessibilidade, demonstrando o compromisso do projeto com o acesso à cultura e a participação da comunidade.
Cultura
Feira do Livro encerrou neste domingo com público de 140 mil pessoas
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1 dia atrásem
19/10/2026
Com mais de 350 ações realizadas entre os dias 02 e 18 de outubro, a 42ª Feira do Livro de Caxias do Sul contabilizou um público de 140 mil pessoas, registrando a venda de 33.725 livros no período. A solenidade de encerramento foi neste domingo, depois do show da dupla Tita e Rafa. Com o toque da sineta feito pela patrona, Adriana Antunes, houve também a tradicional entrega de rosas aos livreiros das 24 bancas que atuaram nesta edição.
O fim de semana contou também com o concorrido bate-papo com os novos aurores, realizado sábado à tarde, na Galeria Gerd Bornheim, reunindo os escritores caxienses Gustavo Tamagno Martins, Jorge Possamai, Josiane Scapin, Lilian Lima e Simone Müller Cardoso. No mesmo espaço, na sequência, foi realizado o “Vivências dissoantes – Poetas LGBT+” reunindo Jaque Pivotto, Roberta Saldanha, Felipe Zobaran e Ceci Favero. A Patrona Adriana Antunes seguiu no pique coordenando mais um “Venha Ler Com a Patrona”, esta vez numa roda de leitura batizada de “Conversas Clariceanas: lendo contos de Clarice Lispector”.
Ainda no sábado à tarde, no Palco Principal, durante conversa mediada pela jornalista Tríssia Ordovás Sartori, o escritor e especialista em felicidade, Gustavo Arns, falou de como pensamos nela como algo que já passou:
“Às vezes depositamos a felicidade no passado, com expressões como ‘eu era feliz e não sabia’. Há uma dificuldade de conseguir exercitar a musculatura da presença”, disse Arns, destacando que é preciso treinar o exercício da presença em nosso cotidiano.
Ele também lembrou que foi em Caxias do Sul que conheceu a Monja Coen, de quem ficou amigo e, juntos, lançaram livros e criaram o Centro de Estudos de Felicidade.
“Ela estava jantando uma costela suína. Pensei que fosse vegetariana. Aí ela me olhou perguntado ‘qual o problema de uma monja comer uma costela’, recordou-se Arns.
Com a Praça Dante Alighieri lotada na tarde de sábado, os jornalistas e podcasters Ivan Mizanzuk e Chico Felitti deram um show de simpatia e inteligência, sendo ovacionados pelo público que, também, enfrentou longa fila de espera para obter um autógrafo e uma selfie.
Na conversa, Felitti citou Dráuzio Varela e Eliane Brum como referências para a sua determinação para se profissionalizar contando histórias em áudio:
“Descobri que contar histórias era uma profissão. O que me atrai é o que está fora do centro. Amo bater na porta, amo o constrangimento e o confronto. Me alimento disso”, disse Felitti, antecipando um dos seus próximos podcast: “Fui acusado de um crime aos 13 anos, uma fofoca dizendo que tínhamos espancado um amigo que morreu. Nunca lidei com isso, tinha esquecido. Mas estou rodando o mundo para encontrar estes amigos e investigar essa morte.”
Pioneiro no mundo dos podcasts, referência afirmada de Felitti durante a conversa, Ivan Mizanzuk disse que, no dia a dia, gosta de quebrar a cabeça para encontrar as histórias, mas não muito de escrever os roteiros.
“Já é um esforço grande falar com pessoas estranhas, então prefiro terceirizar o roteiro”, explicou, também falando de seu próximo trabalho, abordando o caso da morte de PC Farias, que foi assessor do ex-presidente Fernando Collor: “Minha intenção é solucionar o caso PC Farias”.
A tarde de domingo reuniu o público para assistir ao show de mágicas do mágico Mateus Di Macedo, além do show de encerramento da dupla Tita e Rafa que, acompanhados de banca, repassaram hits do rock brasileiro dos anos 1980, botando o público para cantar e dançar.
A solenidade de encerramento teve fala da presidente da Associação dos Livreiros Caxienses – Alca – , Maria Helena Lacava. Ela festejou mais uma edição da Feira na Praça Dante e conclamou:
“Vamos ter empatia, amor e consciência. Tudo isso faz a diferença na vida. Saber que a leitura ajuda na compreensão do texto e do contexto nacional que estamos vivendo é fundamental”, disse.
A Amiga do Livro, Alexandra Faccio, Teca, falou com emoção deste grande momento de sua vida:
“Que jornada foi para mim esta para mim! Uma linda festa literária. Este foi o meu momento em que pude trilhar entre palavras. Não consigo mais ordenar minhas lágrimas”, disse Teca, entre… lágrimas.
A Secretária da Cultura, Tatiane Frizzo, destacou o empenho de todos os envolvidos na realização da Feira, dizendo que foram dias felizes, saudando a próxima Feira, para 2027:
“A 43ª Feira vai ser muito especial”, afirmou.
Em seu discurso de encerramento, a Patrona Adriana Antunes falou de caminhadas – físicas e metafóricas:
“Caminhei muito por esta praça nestes 18 dias de feira, foram 32 quilômetros, registrados no aplicativo. Mas, somos todos feitos de fins. E, em algum momento ele chega. E se eles existem é porque houve um começo. E no começo eu era bem pequena. Do jardim da minha casa, meu pai apontava para o centro e dizia: um dia você vai chegar lá. Não sei se cheguei aonde ele imaginava, mas hoje, neste momento estou aqui e para a garota de onde eu vim, já é bem longe”, disse Adriana, convocando o público dar as mãos e, se quisessem, se abraçar:
“Que nossas mãos troquem a ameaça, a agressão, a arma, por ternura. Carecemos de amor, de respeito, de mãos que saibam acolher. Encerro esta feira com o sentimento de que, por alguns dias, fomos mais leitores, mais apaixonados por livros, pela cultura, pela arte, mais ternos e potencialmente mais humanos. Compreendendo que tudo passa. E, eles também passarão. Não tenho nenhuma pretensão ao chegar ao fim. Desejo apenas que sejamos pessoas que saibam mais amar do que odiar” falou a Patrona.
Para o Coordenador Geral, Cássio Felipe Immig, a 42ª edição da Feira do Livro de Caxias cumpriu sua tarefa de dinamizar a cena cultural da cidade com ações pontuais e significativas na área do Livro, Literatura e Leitura:
“Minha avaliação da Feira do Livro de 2026 é, em linhas gerais, positiva. Apesar do clima ter sido predominantemente frio e úmido, com alguma chuva em quase todos os dias, o público compareceu. Tivemos vários momentos de praça lotada, mesmo fora do fim de semana. Também acredito que o cuidado maior com o público PCD e o Espaço da Acessibilidade foram um acerto e um passo a mais em direção ao nosso principal objetivo que a democratização do acesso à leitura e ao livro. Os retornos recebidos do público em geral e dos escritores foi elogioso, destacando a qualidade e variedade da programação e a beleza da praça durante o evento. Com tudo isso, entendo que conseguimos entregar mais uma grande Feira do Livro para a comunidade de Caxias do Sul.”
Na relação dos dez livros mais vendidos, contabilizados até sábado, destacam-se livros de autores locais nas primeiras posições, sendo “Uma visão poética da Universidade de Caxias do Sul”, de Claudia Velho, editora EDUCS, o destaque entre os adultos e “Saudade cabe na mochila?, de Josiane Borges Soares e Kátia Cardoso Nostran, com ilustrações de Amanda Victória, editora EDUCS, o segundo mais vendido entre os infanto-juvenis (lista completa abaixo).
A realização da 42ª Feira do Livro de Caxias do Sul é da Secretaria Municipal de Cultura de Caxias do Sul e da Associação dos Livreiros Caxienses – ALCA, com patrocínio de Supermercados Andreazza, Sorvetes Urca, Sulgás, Randoncorp e Racon Consórcios. O Patrocínio Institucional é da e Unimed Serra Gaúcha. O Apoio Cultural é do Instituto Elisabetha Randon, Câmara de Vereadores, Infront, Gráfica Cromo e Unifique A rádio oficial é a UCS FM e conta com a parceria de Desalinha Design UCS e SESC Caxias do Sul. Financiamento Pró-Cultura – Governo do Estado.
42ª Feira do Livro – Livros mais vendidos até sábado (17)
Adultos
1 – Uma visão poética da Universidade de Caxias do Sul, Claudia Velho, editora EDUCS
2 – A estranha na cama, Raphael Montes, editora Companhia das Letras
3 – Resgatando mulheres, reconstruindo vidas, organizadores Isabela Bressan Prux e Maria Marlene da Silva Faria, editora Desdobra
4 – Educs: meio século de histórias, organizadora Simone Côrte Real Barbieri, editora EDUCS
5 – Quando, Carla Madeira, editora Record
6 – Verity, Colleen Hoover, editora Galera Record
7 – Vida de médico, Francisco Michielin, editora Lettere & Parole
8 – Ela, Lisana Bertussi, editora São Miguel
9 – Rádio Caxias: há 80 anos a voz da cidade, Marcos Kirst, editora São Miguel
10 – O massacre da família Hope, Riley Sager, editora Intrínseca
Infanto-juvenis
1 – Eu duvido vocês terminar este livro, Giuliana Mafra, editora Outro Planeta
2 – Saudade cabe na mochila?, Josiane Borges Soares e Kátia Cardoso Nostran, ilustrações de Amanda Victória, editora EDUCS
3 – Olhinhos curiosos (série), vários autores
4 – Diário de uma princesa desastrada, de Maidy Lacerda, editora Outro Planeta
5 – Pense rápido (série), de Paloma Blanca Alves Barbieri, editora Ciranda Cultural
6 – O Homem-cão (série), Dev Pilkey, editora Companhia das Letrinhas
7 – Minecraft (série), vários autores, editora Ciranda Cultural
8 – O pequeno príncipe, Antoine de Saint Exupéry, várias editoras
9 – Diário de um Banana (série), Jeff Kinney, editora VR
10 – O cara que estou a fim não é um cara?!, Sumiko Arai, editora New Pop
Cultura
Sonora Brasil traz Suraras do Tapajós ao palco do Sesc Caxias do Sul
Publicado em
2 semanas atrásem
08/10/2026
Grupo paraense formado por mulheres indígenas apresenta repertório autoral e tradicional no dia 12/10 .
O Teatro do Sesc Caxias do Sul recebe, no dia 12 de outubro, às 20h, o show Suraras do Tapajós, atração do projeto Sonora Brasil. Formado por mulheres indígenas, o grupo paraense apresenta canções autorais e repertórios da música do Pará, combinando carimbó, dança e elementos visuais ligados à cultura de seus territórios. Os ingressos estão disponíveis no SAC da unidade e pelo site www.sesc-rs.com.br/
Considerado o primeiro grupo de carimbó formado por mulheres indígenas no Brasil, o coletivo utiliza a música para valorizar a natureza, a força feminina e a ancestralidade de seu povo. A presença das artistas também amplia a participação das mulheres indígenas em um gênero tradicionalmente marcado pela presença masculina.
Com uma trajetória que inclui apresentações em importantes festivais nacionais, como Rock in Rio 2024, Coala Festival e Rec-Beat, as Suraras do Tapajós levam ao palco uma experiência que reúne música, dança e elementos visuais tradicionais. O trabalho do grupo reforça a presença da cultura indígena contemporânea e mantém vivas expressões relacionadas à identidade, resistência e celebração do território.
Os ingressos custam R$15 para trabalhadores do comércio e serviços, R$18 para empresários, R$20 para meia-entrada e R$40 para o público geral. Também há a opção de ingresso solidário por R$30, mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível, que deverá ser entregue no evento.
Sobre o Sonora Brasil – O Sonora Brasil cumpre a missão de difundir o trabalho de artistas que se dedicam à construção de uma obra não comercial. A formação de plateia é o que se busca por meio do contato do público com a qualidade e a diversidade da música, estimulando o olhar crítico sobre a produção e os mecanismos de difusão da música no País. Promovido pelo Sesc nacionalmente, já alcançou 750 mil pessoas, com 6.098 concertos, de 85 grupos, em mais de 150 cidades brasileiras. Ao todo, 431 músicos já se apresentaram no circuito que, a cada biênio, aborda duas temáticas diferentes e promove a circulação dos artistas por todas as regiões brasileiras.
Limpezas nos cemitérios podem ser realizadas até o dia de Finados
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Congresso promulga emenda do fim da 6×1, escala 5×2 começa em 60 dias
Seletivo Agilzinho S151 terá trajeto ampliado
Feira do Livro encerrou neste domingo com público de 140 mil pessoas
O Grande Espetáculo de Natal celebra 10 anos
Neste segundo turno, Caxias do Sul não terá nenhuma alteração de local de votação
Seletivo Agilzinho S151 terá trajeto ampliado
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