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Economia

Economia de Caxias do Sul cresce 11,8% em março, mas cenário segue pressionado por juros altos e desaceleração industrial

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Denise Suzin Borges

A economia de Caxias do Sul registrou crescimento de 11,8% em março de 2026 na comparação com fevereiro, resultado impulsionado principalmente pela recuperação da indústria e pelo avanço do setor de serviços. A indústria cresceu 15,8% no período, enquanto os serviços avançaram 10,6% e o comércio teve alta de 1,2%. 

Na comparação com março de 2025, descontados os efeitos sazonais, a atividade econômica do município apresentou crescimento de 4,8%. O desempenho foi puxado pelos serviços, com expansão de 16,2%, e pelo comércio, que avançou 4,9%. A indústria, por outro lado, registrou retração de 1,5% frente ao mesmo mês do ano anterior. 

Apesar do resultado positivo em março, o vice-presidente de Comércio da CIC Caxias, Marcos Rossi Victorazzi, ponderou que o desempenho deve ser analisado dentro de um contexto mais amplo de desaceleração da economia. “É importante a gente olhar para o gráfico que mostra que a gente vinha numa curva de queda. Então não é que é um número positivo que ele diz que está tudo bem. Ele é um pouquinho menos ruim do que vimos nos últimos meses”, afirmou. 

Victorazzi também alertou para os efeitos da inflação e dos juros elevados sobre a atividade econômica. “A inflação não está baixando, então o Banco Central vai segurar o juro ainda para controlar a inflação. Então isso, de certa forma, ainda desaquece a economia e mostra que a gente ainda vai ter um período turbulento pela frente. Não é um cenário que indica positividade, por mais que tenhamos um número bom aqui”, acrescentou. 

No acumulado do primeiro trimestre de 2026, a economia caxiense ainda registra leve retração de 0,1% em relação ao mesmo período do ano passado, pressionada principalmente pela queda de 7,2% da indústria. No mesmo intervalo, os serviços acumulam crescimento de 9,4% e o comércio de 5,3%. 

No acumulado de 12 meses, o indicador geral da economia apresenta recuo de 0,8%. A retração industrial de 8,3% segue sendo o principal fator de pressão sobre o desempenho agregado do município, enquanto os serviços acumulam alta de 9,1% e o comércio, de 5,3%. 

O coordenador da Diretoria de Economia da CIC Caxias, Tarciano Mélo Cardoso, afirmou que o cenário econômico atual é marcado por transformações estruturais e aumento das tensões geopolíticas. “A gente vem notando que o momento atual global é parte de uma transição estrutural, marcado por uma geopolítica dominante, inflação resistente e transformação empresarial acelerada”, avaliou. 

Segundo ele, a elevação do preço do petróleo e os conflitos internacionais seguem pressionando custos de energia, logística e cadeias produtivas. “O principal vetor nesse cenário global é o conflito dos Estados Unidos com o Irã, que traz como consequência inflação, impacto em custos de energia e logística”, observou. 

No cenário doméstico, Cardoso destacou a persistência da inflação e a revisão das expectativas para a taxa de juros. “Nós temos aí um IPCA chegando em 4,89, fora do teto da inflação, e uma Selic hoje em 14,5%, com expectativa de fechamento em 13% no final do ano. Antes trabalhávamos com expectativa de 12%, mas ela foi suprimida”, afirmou. 

O coordenador também manifestou preocupação com pautas em discussão no Congresso Nacional, especialmente a proposta de alteração da escala 6×1. “O que temos hoje é a percepção de que essa medida tende a ampliar a pressão inflacionária no Brasil”, disse.

Para Caxias do Sul, Cardoso ressaltou que os desafios passam pelo aumento de custos, infraestrutura logística e competitividade. “A logística de Caxias é um grande desafio em relação do País e a mão de obra reflete o cenário nacional. Mas também temos oportunidades nesse caminho. Se bem trabalhadas, as substituições de importações e a regionalização de parcerias comerciais podem ser pontos fortes”, afirmou. 

No mercado de trabalho formal, Caxias do Sul encerrou março com estoque de 173.464 empregos, o melhor nível desde 2015. O município registrou saldo negativo de 310 vagas no mês, resultado influenciado principalmente pela agropecuária, que perdeu 723 postos de trabalho em razão do encerramento de contratos temporários ligados à safra. Comércio e serviços lideraram a geração de vagas, com saldo positivo de 249 e 112 empregos, respectivamente. 

No comércio exterior, as exportações cresceram 23,5% em março frente a fevereiro, enquanto as importações recuaram 0,5%. Com isso, a balança comercial apresentou melhora no período. No acumulado de 12 meses, as exportações avançam 11,3%, enquanto as importações registram queda de 9,9%.

Fonte: Assessoria de Imprensa CICCaxias, jornalista Marta Guerra Sfreddo (MTb6267)

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Inflação oficial de agosto fecha em -0,32%, menor taxa em quatro anos

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Quedas na conta de luz, alimentos e transporte influenciaram IPCA.

O Bônus de Itaipu e a queda de preço dos alimentos e dos transportes fizeram a inflação oficial de agosto fechar em -0,32%, a menor taxa desde agosto de 2022, quando o índice alcançou -0,36%.

Em julho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi 0,07%. Em agosto de 2025, -0,11%. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A variação negativa de agosto fez o índice acumular 4,22% em 12 meses – menor valor desde março de 2026 (4,14%). Em julho, a soma estava em 4,44%.

O IPCA do mês passado veio abaixo da estimativa do mercado. O Boletim Focus da última terça-feira (8), sondagem do Banco Central (BC) com agentes do mercado financeiro, projetou a inflação de agosto em -0,23%. Para o fim de 2026, a expectativa do mercado é de 5%.

A meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%. 

Desde o início de 2025, o período de avaliação da meta é referente aos 12 meses imediatamente passados e não apenas o alcançado no fim do ano (dezembro). A meta é considerada descumprida se a inflação estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.

Influências

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, quatro apresentaram deflação em agosto.

  1. Alimentação e bebidas: -0,34% (impacto de -0,07 ponto percentual);
  2. Habitação: -1,87% (-0,29 p.p.);
  3. Artigos de residência: 0,64% (0,02 p.p.);
  4. Vestuário: 0,12% (0,00 p.p.);
  5. Transportes: -0,86% (-0,17 p.p.);
  6. Saúde e cuidados pessoais: 0,23% (0,03 p.p.);
  7. Despesas pessoais: 1,30% (0,13 p.p.);
  8. Educação: 0,47% (0,03 p.p.);
  9. Comunicação: -0,09% (0,00 p.p.).

O grupo habitação teve a deflação mais profunda para o mês desde o início do Plano Real, em 1994.

Bônus de Itaipu

A explicação está no Bônus de Itaipu, desconto que os consumidores receberam na conta de luz do mês, que caiu, em média 7,63%.

O bônus consiste na distribuição do saldo positivo da conta de comercialização de Itaipu, hidrelétrica estatal, que vira crédito nas contas de energia.

De todo o IPCA de agosto, a conta de luz foi o que mais puxou o indicador para baixo, sendo a menor variação para um mês de agosto de todo o Plano Real.

O analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, explica que, como o bônus é restrito ao mês de agosto, a conta de luz virá com essa “devolução” em setembro.

“Não sabemos como ficará o resultado final, mas sabemos que o índice tende a subir.”

Alimentação

A queda de preços em alimentação e bebidas foi a terceira seguida. Em julho, havia recuado 0,67%; em junho, 0,24%.

As principais quedas no grupo foram:

  1. batata-inglesa: -19,89%;
  2. cenoura: -11,22%;
  3. cebola: -11,07%;
  4. tomate: -10,94%;
  5. ovo de galinha: -4,15%;
  6. café moído: -1,86%.

Os alimentos são o grupo de maior peso do IPCA, representando 21,5% da cesta mensal de consumo dos brasileiros.

Avião e combustíveis

No grupo transportes, o maior impacto para a baixa partiu das passagens aéreas, que recuaram 13,17% (impacto de -0,11 p.p.). O bilhete de avião só perdeu para a conta de luz, em termos de peso negativo na inflação.

Os combustíveis também ajudaram a conter o IPCA, com variação de -0,86%. Caíram no mês o etanol (-3,95%), óleo diesel (-0,80%) e gasolina (-0,59%). O gás veicular subiu 2,62%.

O transporte por aplicativo recuou 4,57%. Nesse cálculo, o IBGE adiciona à variação apurada em agosto parte do resultado de julho que, segundo o instituto, “indevidamente, não foi apropriado no referido mês”.

Espalhamento

O índice de difusão, que mostra o quanto a inflação está espalhada, foi de 54%, ou seja, 54% dos 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram aumento de preço. Em julho, era de 50%.

O IBGE desagrega o IPCA em dois grupos, o de serviços, que traz os preços que sofrem mais influência do aquecimento ou esfriamento da economia – ou seja, mais suscetíveis à taxa Selic – e o de preços monitorados, que costumam ser controlados por contratos, e os combustíveis.

Em agosto, o grupo serviços subiu 0,03%; o de monitorados, que inclui a conta de luz, -1,26%.

Índice

O IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Ao todo, são coletados preços de 377 subitens (produtos e serviços).

Os valores são apurados em dez regiões metropolitanas – Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre – além de Brasília e nas capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.  

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Economia de Caxias do Sul cresce 3,5% em julho

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economia de Caxias do Sul cresceu 3,5% em julho na comparação com junho, com resultado positivo nos três principais setores. O setor de serviços liderou o desempenho, com alta de 5,9%, seguido pela indústria, que avançou 2,9%, e pelo comércio, com crescimento de 1,3%. Os dados integram o relatório de Desempenho Econômico divulgado pela CIC Caxias e CDL Caxias nesta quarta-feira (9).

Na comparação com julho de 2025, a atividade econômica do município apresentou crescimento de 3,3%. Novamente, os serviços tiveram o melhor resultado, com expansão de 10,8%, enquanto o comércio avançou 4,9%. A indústria seguiu na direção contrária, com retração de 1,5%.

O resultado, porém, revela comportamentos distintos entre os setores. Os serviços acumulam expansão de 9,5% no ano e comércio, de 5%, enquanto a indústria registra queda de 5%. No acumulado de 12 meses, a economia de Caxias do Sul ainda apresenta retração de 0,5%, influenciada principalmente pelo recuo de 7,6% da atividade industrial. O setor de serviços cresce 9,3% e comércio, 4,9% no período.

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Prévia da inflação fica em -0,40%, a menor desde agosto de 2022

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Bônus de Itaipu e alimentos ajudaram a derrubar o IPCA-15.

O desconto do Bônus de Itaipu na conta de luz e os preços dos alimentos ajudaram a jogar a prévia da inflação de agosto para baixo e fazer o índice fechar o mês em -0,40%, a menor desde agosto de 2022, quando marcou -0,73%.

Os dados fazem parte do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em julho o indicador tinha marcado 0,06%. Com o resultado de agosto, o IPCA-15 acumula 4,24% em 12 meses.

Bônus na conta de luz

Dos nove grupos de produtos e serviços apurados pelo IBGE, cinco apresentaram deflação no mês:

Alimentação e bebidas: -0,57% (impacto de -0,12 ponto percentual)

Habitação: -1,41% (-0,22 p.p.)

Artigos de residência: 0,04% (0 p.p.)

Vestuário: -0,20% (-0,01 p.p.)

Transportes: -1% (-0,20 p.p.)

Saúde e cuidados pessoais: 0,40% (0,05 p.p.)

Despesas pessoais: 0,66% (0,07 p.p.)

Educação: 0,46% (0,03 p.p.)

Comunicação: -0,02% (0 p.p.)

O preço da energia elétrica residencial foi o subitem que mais puxou a prévia da inflação para baixo, recuando 6,25% (-0,26 p.p.). A explicação está no Bônus de Itaipu, desconto que consumidores receberam na conta de luz.

Alimentos

O grupo alimentação e bebidas (-0,57%) foi influenciado pela alimentação no domicílio, que ficou 0,97% mais barata.

Veja os alimentos que mais caíram de preço:

tomate: -27,38%

batata-inglesa: -25,14%

cenoura: -17,05%

café moído: -2,31%

Queda na gasolina

A deflação no grupo transportes foi puxada principalmente pelo preço da passagem aérea, que recuou 13,30% no mês. Os combustíveis também contribuíram (-1,43%). Foram registradas quedas no etanol (-3,63%), na gasolina (-1,23%) e no óleo diesel (-0,71%).

IPCA-15 e IPCA

O IPCA-15 tem basicamente a mesma metodologia do IPCA, a chamada inflação oficial, que serve de base para a política de meta de inflação do governo: 3% no acumulado em 12 meses, com margem de tolerância de 1,5 p.p. para mais ou para menos.

A diferença está no período de coleta de preços e na abrangência geográfica. Na prévia, a pesquisa e feita e divulgada antes mesmo de acabar o mês de referência. Em relação à divulgação atual, o período de coleta foi de 16 de julho a 14 de agosto.

Ambos os índices levam em consideração uma cesta de produtos e serviços para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Atualmente o valor do mínimo é R$ 1.621.

O IPCA-15 coleta preços de 367 produtos e serviços (10 a menos que o IPCA) em 11 localidades do país (as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia.); e o IPCA, 16 localidades (inclui Vitória, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju).

O IPCA cheio de agosto será divulgado em 11 de setembro. O boletim Focus da última segunda-feira (24), sondagem do Banco Central (BC) com instituições do mercado financeiro, aponta que o mercado espera que a inflação de agosto fique em -0,18%. 

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