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Sob pressão do agro, extinção de reserva extrativista vira bandeira eleitoral na Amazônia
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Moradores tradicionais da Reserva Extrativista Jaci-Paraná, onde já há mais pasto que floresta, foram expulsos à bala
O piloto conduz o barco rio acima até avistar a casa que está buscando. Ao perceber que há gente na propriedade, baixa o tom de voz e evita se aproximar da margem para não ser visto. Quem olha a cena de longe pode ter a falsa impressão de que ele entrou ilegalmente na Reserva Extrativista (Resex) Jaci-Paraná, uma unidade de conservação em Rondônia criada para proteger de invasores as famílias que vivem da extração da seringa, da castanha, do açaí e de outros frutos da Amazônia.
Mas nesse território que se estende pela área de três municípios, inclusive a capital Porto Velho, essa lógica se inverteu. Dali, do meio do rio, Rodrigo* vê a casa que ajudou os pais a construírem ser utilizada por grileiros como base para a destruição da floresta que antes complementava o sustento familiar. “Eu tô com raiva, tô com ódio”, desabafa, constatando que a roça de macaxeira do pai e os pés de frutas nativas como cupuaçu e abacaxi cultivados pela mãe foram substituídos por bois e tratores.
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Em 2018, o casal de extrativistas decidiu fugir do local depois que a casa foi alvejada com tiros de arma de fogo enquanto eles trabalhavam. Antes disso, em duas ocasiões, os cadeados que trancavam as portas foram trocados durante sua ausência.
Desde então, a situação só piorou: de acordo com dados do governo do Estado, já há 765 fazendas dentro da unidade de conservação. E a proximidade das eleições acirra mais os ânimos: “Politicamente, não interessa ao Estado proteger a reserva, que é a mais visada pelos políticos de Rondônia [para extinção]”, analisa Aidee Torquato, ex-promotora do Ministério Público Estadual, que esteve à frente de muitas ações para impedir o fim da área verde.
Na Resex Jaci-Paraná tudo funciona com o sinal contrário. Quase 30 anos após sua criação, há mais pasto do que floresta por lá — embora a lei proíba a pecuária dentro da unidade de conservação. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 55,3% dos seus 191.234 hectares já foram transformados em capim.
via GIPHY / Infográfico por: Pedro Papini
Apenas dois moradores tradicionais resistem em seus terrenos, mas a população de bovinos cresce exponencialmente sob a proteção dos órgãos oficiais do Estado, que faz, inclusive, o controle de vacinação do rebanho ilegal contra febre aftosa. Enquanto o filho de extrativistas precisa falar baixo e olhar sempre para os lados, evitando ser visto, os invasores criam associações, fazem lobby e erguem faixas pedindo “regularização fundiária“. E o poder público está do lado deles.
“A gente tem que parabenizar essas pessoas que estão trabalhando, ralando, com a mão calejada. Esse é o bandido? Não, eu acho que esse é um herói, deveria ter recebido um prêmio”, defende Evandro Padovani, que até março de 2022 era o secretário de Agricultura de Rondônia — dias depois da declaração dada à reportagem ele deixou o cargo para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSC (Partido Social Cristão). Em 2018, terminou a disputa como suplente, concorrendo com o slogan “Padovani da Agricultura”, que segue ativo em suas redes sociais e deve ser novamente sua plataforma eleitoral.

Evandro Padovani, que até março de 2022 era o secretário de Agricultura de Rondônia, defende publicamente os agricultores que invadiram ilegalmente a Resex / Otávio Lino
Em 2021, o governador Marcos Rocha (União Brasil), que se elegeu na esteira do bolsonarismo e busca mais quatro anos de mandato, contrariou pareceres da própria Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) e da Procuradoria Geral do Estado e enviou para a Assembleia Legislativa um projeto de lei que praticamente acabava com a Resex. O texto, aprovado sem votos contrários pelos parlamentares — dos 24, 17 votaram a favor do projeto e sete se abstiveram — diminuiria em 90% a área da Resex, de 191 mil para 22 mil hectares.
Saiba mais: Parlamento de Rondônia reduz em 90% reserva Jaci-Paraná em prol da pecuária ilegal
A tentativa de redução da Resex foi freada apenas pelo Judiciário, que considerou a lei inconstitucional — mas parte do estrago já estava feito. “Medidas como essas vão fomentando cada vez mais a invasão, porque dão a ilusão de que em algum momento essas pessoas vão ser regularizadas”, diz Paulo Bonavigo, biólogo e presidente da Ecoporé, uma organização sem fins lucrativos que luta pela proteção do meio ambiente em Rondônia.
A Resex Jaci-Paraná é uma das unidades de conservação onde o desmatamento mais cresce no Brasil, conforme números do Inpe. Não por acaso, está localizada no estado amazônico que mais destruiu suas florestas. “Por causa do agronegócio, Rondônia sempre teve um movimento conservador e antiambiental muito forte. A eleição de Bolsonaro legitimou esse discurso e empoderou ainda mais os invasores”, explica Paulo Bonavigo.
O próprio presidente já teceu elogios à atuação dos deputados de Rondônia, estado que virou um balão de ensaio para as políticas de desregulamentação ambiental patrocinadas pelo governo de Jair Bolsonaro. Por isso, o risco é que a extinção de Jaci-Paraná abra um precedente perigoso para as outras áreas protegidas da Amazônia, cuja preservação é essencial para evitar o avanço do aquecimento global.
“O último relatório do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na sigla em inglês] mostra que a Amazônia está perdendo o poder de fazer o equilíbrio climático, de resgatar o carbono da atmosfera”, destaca Txai Suruí, liderança indígena de Rondônia que em 2021 capturou a atenção de importantes chefes de Estado ao discursar na tribuna principal da COP 26, a Conferência Mundial do Clima.

“A Amazônia está perdendo o poder de fazer o equilíbrio climático”, destaca Txai Suruí / Otávio Lino
“Essa destruição passa também por comunidades que sempre viveram da floresta e agora estão sofrendo [com invasões e expulsões]”, completa Txai, também coordenadora da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, que trabalha na defesa dos povos indígenas e do meio ambiente há 30 anos.
Peixe grande, peixe pequeno
Dona Cláudia*, mãe de Rodrigo, não teve tempo nem de sentir o gosto dos abacaxis que estavam começando a brotar quando ela e o marido, Roberto*, tiveram que sair fugidos da casa na beira do Rio Jaci-Paraná. A horta com couve, pimenta, cebola e outros temperos também ficou para trás, junto com uma boa parte da saúde de seu Roberto, que nunca se adaptou à vida em Porto Velho, para onde foram após escapar dos invasores.
“Era um monte de homem chegando armado. O trator veio na frente abrindo a estrada, tirando madeira. A casinha ficou lá, tava toda pintadinha”, lembra o idoso.
Assim como eles, a maioria das cerca de quarenta famílias de extrativistas que viviam na Resex Jaci-Paraná quando ela foi criada, em 1996, foi embora por conta das ameaças — realidade que se materializa nas casas abandonadas dentro da reserva. “A gente não vivia em paz, estava sempre assustado. Escutava pau caindo, eles abrindo mato, derrubando para plantar capim para o gado”, conta Isabel*, que também se viu obrigada a largar a floresta às pressas, deixando para trás a máquina de costura e a casa de farinha. “A minha vida foi só em seringal. Eu nunca morei na cidade, assim como tô agora. Eles tiraram meu sossego, minha paz.”

Na Resex Jaci-Paraná, é possível ver algumas das casas abandonadas pelos extrativistas expulsos por fazendeiros / Otávio Lino
Para Gustavo*, a ameaça chegou uma década atrás, pela boca de um homem armado: “O peixe maior é costume engolir um monte de menor”, disse o invasor.
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Sabedor de seu direito àquela terra, garantido por lei, Gustavo foi ao Ministério Público, ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), à delegacia ambiental, ao governo do Estado. Mas enquanto era mandado de um órgão público para o outro, viu as invasões ganharem corpo. Sem apoio, teve que deixar seu lote e passou a viver de favor. “Eles entraram como se fossem um bando de bicho, devorando tudo, vieram com trator, com caminhão. Hoje você só vê capim e boi berrando. Mais nada”, recorda.
Rebanho ilegal cresce 300% em sete anos
Documentos oficiais do governo do Estado mostram que em janeiro de 2022 havia 174.406 cabeças de gado na área protegida — número quase 300% maior do que o registrado em 2015, quando foi feito o primeiro levantamento do rebanho ilegal na Resex.
Parte desses animais abastece diferentes frigoríficos de Rondônia, inclusive aqueles pertencentes a grandes empresas que se comprometeram publicamente a não comprar animais de áreas desmatadas ilegalmente. No ano passado, o jornal estadunidense The New York Times revelou que bois criados na reserva foram comprados por frigoríficos da JBS, Marfrig e Minerva. No caso da JBS, a mesma prática já havia sido denunciada anteriormente pelo ((o))eco e pela Anistia Internacional.
A JBS afirma que essas publicações tinham erros metodológicos e que demonstrou, em cada um dos casos, a regularidade de suas compras. No caso da Marfrig, flagrada pela reportagem do The New York Times buscando gado dentro da Resex, a empresa disse que o erro foi da transportadora que embarcou os animais.
Já a Minerva argumenta que a falta de transparência sobre a movimentação do gado impede o monitoramento da origem dos animais desde o nascimento. Como o gado costuma passar por duas, três ou mais fazendas antes de chegar ao frigorífico, as empresas ficam sujeitas a manobras dos produtores que “lavam” o gado de Jaci-Paraná em fazendas regulares no entorno da reserva. Confira a íntegra das respostas das empresas aqui.
Impedir que os animais criados ilegalmente dentro da Resex chegassem aos consumidores, garantindo lucros para os pecuaristas irregulares, foi uma das maiores brigas de Aidee Maria Moser Torquato ao longo dos 18 anos em que esteve à frente da Promotoria de Meio Ambiente do Ministério Público de Rondônia (MP-RO). Para isso, ela adotou a estratégia de pressionar a Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do estado (Idaron) para que tomasse medidas concretas contra o rebanho ilegal.

Governo de Rondônia fecha os olhos para a ocupação ilegal da reserva para criação de gado / Otávio Lino
O órgão é responsável por garantir que os animais sejam vacinados contra a febre aftosa, por isso sabe quem são os pecuaristas e detém informações preciosas sobre o fluxo comercial entre criadores e frigoríficos. A agência, inclusive, emite os documentos que autorizam o trânsito dos animais de uma fazenda para outra e dessas para os abatedouros.
Caso se abstivesse dessas tarefas, sob a alegação da irregularidade dos bovinos dentro de uma reserva extrativista, o Idaron estrangularia a cadeia que fomenta a grilagem.
Mas as recomendações de Torquato foram solenemente ignoradas pelas autoridades do governo do Estado. “Como o Idaron faz vista grossa e não denuncia quem invadiu a Resex? Como emite a Guia de Trânsito Animal sem questionar a origem do gado? Isso só interessa a quem está lá produzindo gado e enriquecendo”, lamenta a ex-promotora, que se aposentou em 2020.
A reportagem entrou em contato com o Idaron, com a Sedam e o gabinete do governador Marcos Rocha, mas não obteve retorno.
A carne produzida nos municípios que abrangem a Resex Jaci-Paraná é exportada, principalmente para Hong Kong, região autônoma da China, mas também para o Egito, Rússia, Itália, Alemanha, Suiça e Dinamarca e outros 37 países.
Para Ivaneide Bandeira Cardozo, a Neidinha Suruí, coordenadora de projetos da Kanindé, quem compra essa carne também tem sua parcela de culpa na tragédia socioambiental da Amazônia. “Há uma guerra do setor econômico contra a natureza, contra os povos indígenas, contra os extrativistas, e essa guerra destrói o planeta. Nós só vamos parar essa devastação quando o mercado internacional der um basta.”

“Nós só vamos parar essa devastação quando o mercado internacional der um basta”, diz Neidinha Suruí / Otávio Lino
Governo desobedece a Justiça
Desde 2004, já houve pelo menos três decisões judiciais determinando a saída dos invasores da Resex Jaci-Paraná, a restauração da vegetação nativa e o pagamento de multas por parte dos grileiros, mas elas tampouco tiveram efeitos. “O Estado nunca cumpriu”, lembra Torquato.
A exceção foi o período entre 2011 e 2013, em que o hoje ambientalista da Ecoporé Paulo Bonavigo esteve à frente do órgão estadual responsável pela proteção das unidades de conservação do estado e tentou forçar a retirada do gado da área por meio de bloqueios nas estradas de acesso à Resex. O objetivo era impedir a entrada de novos animais e de qualquer insumo à atividade agropecuária. A pressão dentro e fora do governo, no entanto, acabou minando a iniciativa e o levou a deixar o cargo. “Às vezes vinha um assessor de deputado me procurar, ou mesmo advogados ligados a políticos, querendo achar uma brecha legal para manter a invasão”, conta.
Em um estado que tem o agronegócio como carro-chefe da economia, a luta contra a Resex Jaci-Paraná virou bandeira eleitoral. A Assembleia Legislativa do Estado já tentou extinguir ou reduzir a unidade de conservação quatro vezes: em 2014, 2018, 2020 e em 2021, cujo ponto de partida foi um projeto de lei do governador do Estado.
“Essa pauta de redução de unidades de conservação é uma bandeira eleitoral em Rondônia há muitos anos”, explica Paulo Bonavigo, da Ecoporé, que acredita que este ano não será diferente. “Se você pensar que há cerca de 1.600 famílias vivendo ilegalmente dentro da Resex Jaci-Paraná, isso já é quase voto o suficiente para eleger um deputado.”
Por isso, não surpreende que, a 12 quilômetros de onde Rodrigo chora a casa que um dia foi sua, mas ainda dentro do perímetro protegido de Jaci-Paraná, João Marcelo da Silva faça planos de se candidatar a vereador mirando no voto dos grileiros. Ele é presidente da Aparar (Associação dos Pequenos Agricultores Rurais do Assentamento Renascer), que representa invasores assumidos: “Quando chegamos aqui sabíamos que era reserva”, admite. “Só que todo mundo precisava dum pedaço de terra para manter o sustento”, justifica.

“Quando chegamos aqui sabíamos que era reserva”, admite João Marcelo da Silva, presidente da Aparar / Otávio Lino
Silva exibe uma faixa com os dizeres “Nós queremos o zoneamento e a regularização fundiária da área da Resex Jaci-Paraná” e acredita que a regularização dos grileiros será o trampolim para sua candidatura. “Antes de deitar tem que fazer a cama”, brinca. Trânsito na política oficial Silva já tem — segundo ele, foi a seu pedido que a prefeitura de Porto Velho mandou a retroescavadeira que consertava a estrada dentro da área invadida.
Embora os defensores do fim da Resex argumentem que quem está lá são pequenos produtores rurais, os dados do Idaron mostram que entre os invasores da unidade de conservação há pelo menos 21 fazendeiros com mais de mil cabeças de gado — em alguns casos, os rebanhos somam quase três mil animais, enquanto a média em propriedades familiares obtida pelo último censo agropecuário do IBGE é de 80 cabeças por propriedade em Rondônia.
“Nas investigações do Ministério Público detectamos empresários de outros ramos que exploram pecuária dentro da Resex, mas também laranjas. Pessoas que possuem o gado em seu nome, mas que não têm condição financeira para isso”, conta Aidee Torquato. “Já aconteceu de identificarmos uma cabeleireira com 500 cabeças de gado, por exemplo.”
“A gente vê desmatamentos de quase 1.000 hectares de uma hora pra outra, e isso exige muito dinheiro, então não são pessoas com pouca renda que foram invadindo essas áreas”, salienta Paulo Bonavigo, da Ecoporé.
Vitória do atrevimento
José Maria, um dos fundadores da Organização dos Seringueiros de Rondônia e principal liderança extrativista do Estado, ainda guarda as fotos tiradas em 9 de março de 1996, quando foi realizada a assembleia de criação da associação de extrativistas de Jaci-Paraná. Na imagem, cerca de trinta pessoas, a maioria homens, olham sorridentes para a câmera. Em outro retrato, Zé Maria e um companheiro tomam banho em um rio ainda cercado pela floresta densa, imagem rara atualmente dentro da área.
A extensão do estrago é o principal argumento de quem quer o fim da reserva. “A floresta a gente tem que cuidar enquanto ela não foi derrubada. Depois que derrubou, não adianta”, argumenta Padovani.
:: PL que flexibiliza regularização fundiária premia invasores, avaliam especialistas ::
Mas a Justiça brasileira não aceita a teoria do fato consumado – de que a retirada dos invasores é inútil porque o desmatamento já aconteceu – como justificativa para a perpetuação de crimes ambientais. O desembargador Miguel Monico Neto, do Tribunal de Justiça de Rondônia, reforça esse entendimento: “Seria uma vitória do atrevimento. Vamos premiar a ilegalidade?”, questiona o magistrado, que votou contra o projeto de redução da Resex na sessão que declarou a iniciativa inconstitucional.
“Juridicamente, não existe fato consumado quando o assunto é a proteção do meio ambiente. O que é ilegal é ilegal e tem que ser recuperado”, frisa Torquato, que desenvolveu, junto com técnicos do MP, um cálculo para cobrar indenizações pela perda de biodiversidade — dinheiro que poderia ser aplicado em programas de recuperação ambiental.
A justificativa de quem quer entregar a Resex aos invasores tampouco encontra respaldo na ciência e na experiência prática, já que a floresta já provou que é capaz de se recuperar pelo simples abandono da área. Apenas na Amazônia, pesquisadores identificaram 7,2 milhões de hectares passíveis de recuperação, o equivalente a 60% da meta assumida pelo Brasil no Acordo de Paris, de recuperar 12 milhões de hectares de florestas até 2030. É quando se encerra o período que a ONU (Organização das Nações Unidas) designou como a “Década da Restauração” para inspirar e apoiar governos, empresas e sociedade civil a promoverem iniciativas de recuperação florestal em todo o mundo.
“Ao contrário do discurso do governo, a gente acredita que dá para recuperar a Resex, reflorestar, devolver aos seringueiros que foram expulsos e desenvolver com eles projetos de reflorestamento”, defende Neidinha. “A gente tem que devolver para a floresta aquilo que tiramos dela e só assim que a gente vai conseguir reverter essa crise pela qual estamos passando”, acrescenta Txai Suruí.
*Por questão de segurança, os nomes dos entrevistados foram modificados.
**Essa reportagem foi financiada pela WWF Brasil.
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Geral
Circulação do espetáculo teatral “Conto Contigo e Comigo” estreia neste final de semana em Caxias do Sul com apresentações gratuitas para a comunidade e escolas públicas
Publicado em
2 dias atrásem
30/01/2026
Peça divertida e bem-humorada integra o repertório artístico do Grupo Ueba desde 2018, revisitando histórias clássicas e personagens universais bastante conhecidos do público, como Romeu e Julieta, Peter Pan e Aquiles, entre outros
Neste final de semana, estreia em Caxias do Sul a circulação do espetáculo teatral “Conto Contigo e Comigo”, que integra o repertório do Grupo Ueba Produtos Notáveis desde 2018 e agora contará com seis apresentações gratuitas em espaços públicos da cidade e seis exibições para alunos de escolas da rede pública municipal, totalizando 12 encenações nesta circulação. A estreia do projeto itinerante será no sábado, dia 31, no Centro Cultural Moinho da Cascata, marcando também a reabertura das atividades e da programação do espaço, que estava fechado em período de férias. No domingo, 1º de fevereiro, será a vez do Parque Getúlio Vargas (dos Macaquinhos) receber a peça. Na próxima quinta-feira, dia 5, o espetáculo será encenado na Praça Dante Alighieri, e no domingo, dia 8, na Lagoa do Rizzo. Na sequência terão exibições no estacionamento da Universidade de Caxias do Sul (UCS), no domingo do dia 22 de fevereiro, e na Maesa Cultural, com data a ser confirmada em breve. Todas as apresentações estão agendadas para as 17h, são gratuitas e direcionadas ao público infanto-juvenil e suas famílias.
Esse é 12º projeto do Grupo Ueba que propõe circulações de espetáculos abertos ao público pela cidade. Já circularam as peças Faísca D´água, Os Templários, Cirzo ZeZ, Fábulas do Sul, As Aventuras do Fusca à Vela, entre outras. O espetáculo “Conto Contigo e Comigo” está em cartaz e circulando por diversas cidades desde 2018, com apresentações em feiras, eventos, escolas e mostras culturais.
A peça narra, de forma divertida e criativa, diferentes formas de dramatizar histórias clássicas e personagens universais bastante conhecidos do público. Focada principalmente nos jovens, e atenta aos signos dessa faixa etária, a narrativa segue a máxima do “quem conta um conto aumenta um ponto”, abrindo as possibilidades de interpretar e ressignificar os personagens clássicos. Com humor e leveza, trata temas como o amor, a morte, a cobiça, o medo, a competição e a falta de comunicação tendo como pano de fundo as histórias clássicas escolhidas. A montagem escrita e dirigida por Jonas Piccoli, e interpretada por um trio de atores do Grupo Ueba, conduz uma viagem divertida e bem-humorada pelo mundo de personagens como Romeu e Julieta, Peter Pan e Sininho, passando até mesmo por Aquiles e Napoleão Bonaparte. Ressignificando essas trajetórias históricas, a peça possibilita ao público acessar novas simbologias e formas de divertir-se com os temas clássicos. A plateia também ganha protagonismo ao ser convidada a interagir e fazer parte do espetáculo.
Durante aproximadamente uma hora, os três atores revezam os vários personagens utilizando adereços e recursos cênicos, quebrando constantemente a quarta parede para interagir e refletir com o público a respeito dos rumos narrativos. “Conto Contigo e Comigo é uma produção acessível a todas as idades, ao trazer uma abordagem artística fluida que não pretende ser didática, mas sim estimular o aprendizado e prazer pelo conhecimento. Essa dimensão simbólica não apenas enriquece a experiência estética, mas também instiga o público a refletir sobre sua própria jornada de crescimento e mudança”, pontua o autor e diretor da peça.
Como todas as seis exibições são espetáculos de teatro de rua, em caso de instabilidade do clima, as mudanças na programação serão comunicadas nas redes sociais do Grupo Ueba @grupoueba. O projeto de circulação da montagem é financiado pela Lei de Incentivo à Cultura de Caxias do Sul (LIC) e tem apoio cultural do Instituto Elisabetha Randon, Randoncorp, Fundação Marcopolo e Caminho Rede de Ensino.
SERVIÇO
O QUÊ: Circulação do espetáculo teatral “Conto Contigo e Comigo”, do Grupo Ueba Produtos Notáveis, com seis apresentações gratuitas em espaços públicos de Caxias do Sul
PROGRAMAÇÃO DOS ESPETÁCULOS:
31/01 (sábado) – Centro Cultural Moinho da Cascata
1º/02 (domingo) – Parque Getúlio Vargas (dos Macaquinhos)
05/02 (quinta-feira) – Praça Dante Alighieri
08/02 (domingo) – Lagoa do Rizzo
22/02 (domingo) – Estacionamento da UCS
Data a confirmar – Maesa Cultural
HORÁRIO: Sempre às 17h
ENTRADA: Gratuita
REALIZAÇÃO: Grupo Ueba Produtos Notáveis e Centro Cultural Moinho da Cascata
FINANCIAMENTO: Lei de Incentivo à Cultura de Caxias do Sul (LIC)
APOIO CULTURAL: Instituto Elisabetha Randon, Randoncorp, Fundação Marcopolo e Caminho Rede de Ensino
INFORMAÇÕES: site www.grupoueba.com.br e redes sociais @grupoueba
Em caso de chuva, as mudanças na programação serão comunicadas nas redes sociais do Grupo Ueba @grupoueba
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Sobre o Grupo UEBA Produtos Notáveis
Fundado há mais de 20 anos por Aline Zilli e Jonas Piccoli, o Grupo Ueba Produtos Notáveis é reconhecido por suas produções teatrais inovadoras, contribuindo significativamente para a cena cultural da Serra Gaúcha e do Rio Grande do Sul. Além do teatro, o grupo atua na literatura e no cinema, ampliando seu impacto cultural. Há mais de 10 anos, ocupa as instalações do Centro Cultural Moinho da Cascata, em Caxias do Sul, um espaço histórico revitalizado que abriga atividades culturais e de lazer acessíveis ao público. Site
Destaque
Ministro Renan Filho anuncia publicação do edital para a obra do viaduto da BR 116 em Caxias do Sul
Publicado em
3 dias atrásem
29/01/2026
O anúncio foi feito em encontro com lideranças da Serra na noite desta quarta-feira.
O ministro dos Transportes Renan Filho anunciou o lançamento do edital de licitação para a construção do viaduto da BR-116 para abril. A obra tem valor estimado em R$ 60 milhões. Ele também comunicou que, após negociação com a Sulgás, o Mnistério vai reabrir o trecho da BR-116 que precisa ter a duplicação finalizada, a Sulgás irá retirar a tubulação e o DNIT vai concluir a duplicação da via. O prefeito em exercício, Edson Néspolo, acrescentou que o ministro autorizou a elaboração do projeto que irá desenhar a futura Perimetral Oeste.Como presidente do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), Renan Filho autorizou a circulação de caminhões equipados com tração auxiliar elétrica no Brasil. Esta é uma demanda da Randoncorp, que produz o eixo elétrico e-Sys, uma tecnologia responsável por melhorar a eficiência energética e a performance de composições pesadas, sendo aplicada principalmente em semirreboques. O pedido focava na circulação de veículos equipados com sistema de tração auxiliar elétrico, diferente dos semirreboques já regulamentados em 2022.
A agenda do ministro continua nesta quinta-feira, 29/01, pela Serra Gaúcha.
Destaque
SESC apresenta espetáculo Som & Luz na Festa da Uva 2026
Publicado em
5 dias atrásem
27/01/2026
Ao todo, serão sete sessões, entre os dias 22 de fevereiro e 5 de março, sempre às 20h, nos Jardins das Réplicas de Caxias do Sul de 1885, no interior do Parque de Eventos.
Com valores entre R$ 5 e R$ 20, já estão à venda os ingressos para o espetáculo Som & Luz, atração tradicional da 35ª Festa Nacional da Uva, em Caxias do Sul. A realização é fruto da parceria entre o Sesc/RS e a Comissão Comunitária da Festa.
Repleta de sons, luzes, música, movimentos de dança e arte circense, a edição 2026 apresenta o espetáculo “Oblívio”, que propõe narrar a história da Serra Gaúcha a partir do elemento fogo — dos povos indígenas à chegada dos imigrantes, atravessando o tempo até os dias atuais.
O grande diferencial desta edição está na ampliação do número de artistas locais envolvidos: ao todo, 45 artistas da região integram o elenco, reforçando o compromisso com a valorização da produção cultural local. Outro destaque é a política de valores acessíveis, com ingressos populares e sessões programadas para os dias de gratuidade do Parque, ampliando o acesso do público à experiência.
Idealizado por Guilherme Montanari e com direção geral de Zica Stockmans, o espetáculo busca promover encantamento, pertencimento e reflexão, consolidando o Som & Luz como um dos momentos mais simbólicos da Festa Nacional da Uva.
Interessados podem garantir seu ingresso presencialmente no Sesc Caxias do Sul (Rua Moreira Cesar, 2462) ou pelo site www.sesc-rs.com.br/espetaculosculturais. Eles custam R$5 para trabalhadores do comércio de bens e serviços, R$7 para empresários do comércio de bens e serviços, ambos com Credencial Sesc válida, R$ 10 para estudantes, idosos com mais de 60 anos de idade, doadores de sangue, portadores de necessidades especiais e acompanhantes. Ao público em geral, a entrada custa R$20. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (54) 3209-8250, WhatsApp (54) 97400-6473 e redes sociais da Unidade.
Arte Sesc – É um dos pilares prioritários para o Sesc/RS e tem como propósitos a valorização da arte e a disseminação da cultura para a sociedade de forma democrática e acessível, com ações que proporcionem a formação de plateias dos mais diferentes públicos. Dessa forma, promove atividades culturais de teatro, música, artes plásticas, circo, literatura e cinema, com uma intensa troca de experiências para ampliar o acesso à produção artística.
Espetáculo Som & Luz na 35ª Festa Nacional da Uva
Data: De 22/02 a 05/03
Local: Jardins das Réplicas de Caxias do Sul de 1885, no Parque de Eventos da Festa da Uva
Dias:
22/02 (domingo)
23/02 (segunda-feira)
24/02 (terça-feira)
02/03 (segunda-feira)
03/03 (terça-feira)
04/03 (quarta-feira)
05/03 (quinta-feira)
Horário: 20h
Ingressos: No site www.sesc-rs.com.br/espetaculosculturais ou no Sesc Caxias do Sul (Rua Moreira Cesar, 2462) a partir de R$ 5
Informações: Pelo telefone (54) 3209-8250, WhatsApp (54) 97400-6473 e redes sociais do Sesc Caxias do Sul
Ficha técnica:
Direção Geral: Zica Stockmans
Assistente de direção: Sandro Martins
Idealizador do projeto Oblívio: Guilherme Montanari
Produção Musical e Trilha Sonora: Beto Scopel e Rafa De Boni
Dramaturgia: Zica Stockmans
Locução: Sandro Martins
Coreografia: Juliano Dias e Uyara Camargo
Iluminação: Aldedemir Matana
Elenco:
J.Dance Estúdio de Dança
Studio Yalla
Akácio Camargo
Anna Cláudia Pereira
Assaury Hiroshi Gonçalves
Igor Cavalcante Medina
Jenifer Bonho
Maria Lilith da Cruz da Silva
Michael de Vargas
Uyara Camargo
Artistas Circenses: Carla Vanez, Leonardo Coinoski e Thony Kazuli
Músicos: Beto Scopel, Rafa De Boni e Vitinho Manske
Produção: Tem Gente Teatrando
Realização: Festa Nacional da Uva e Sistema Fecomércio-RS/Sesc Caxias do Sul
SINOPSE:
Teatro
Duração: 45 min
Classificação: Livre
Por meio de 7 movimentos, o fogo narra e conta sua versão e sua participação na história, iniciada com a fogueira kaingang e apresentando os primeiros filhos dessa terra. Depois com os vapores dos navios que carregam aqueles que deixam sua pátria em busca de uma terra de sonhos. Chegam os primeiros imigrantes e seus corações esperançosos. O fogo também traz acolhida e segue presente nas casas, nos primeiros fogões, nas lamparinas e nas velas. Ele alimenta, socializa, ilumina os trajetos escuros e é testemunha de muitas preces.
Com a chegada do trem também chega o desenvolvimento, o progresso e a elevação à categoria de cidade. Na sequência, é possível perceber grandes chaminés, onde o fogo alimenta a indústria e o coração dos que adotam esta cidade como sua e investem nela seus anseios por uma vida melhor e mais digna. Com todo esse desenvolvimento, Caxias se notabiliza a produzir material bélico para guerra e o fogo apresenta sua face mais sombria, sendo explosão e consumindo nossa história com incêndios nunca explicados ou por um grande tempo esquecidos.
A história chega a 2026, quando a chama esse elemento da natureza que transforma, renova e reinventa continua a aquecer o caldeirão social de uma metrópole que fabrica e cultiva de tudo, e que segue sendo mãe acolhedora de filhas e filhos vindos de tantos cantos do mundo. Pelos caminhos e lugares desta terra fértil, é novamente tempo de celebrar a colheita. É tempo de Festa da Uva!
O fogo, anfitrião do espetáculo Som & Luz, nos convida a honrar a vida daqueles que aqui estiveram antes e a construir novas memórias com este chão que nos sustenta, deixando um legado luminoso para as próximas gerações.
Neste ano, o espetáculo chega ainda mais vibrante, com a inclusão de novos elementos cênicos e sensoriais, além de surpresas especialmente preparadas para emocionar o público e renovar a experiência desta edição.
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