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Sob pressão do agro, extinção de reserva extrativista vira bandeira eleitoral na Amazônia

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Moradores tradicionais da Reserva Extrativista Jaci-Paraná, onde já há mais pasto que floresta, foram expulsos à bala

O piloto conduz o barco rio acima até avistar a casa que está buscando. Ao perceber que há gente na propriedade, baixa o tom de voz e evita se aproximar da margem para não ser visto. Quem olha a cena de longe pode ter a falsa impressão de que ele entrou ilegalmente na Reserva Extrativista (Resex) Jaci-Paraná, uma unidade de conservação em Rondônia criada para proteger de invasores as famílias que vivem da extração da seringa, da castanha, do açaí e de outros frutos da Amazônia.

Mas nesse território que se estende pela área de três municípios, inclusive a capital Porto Velho, essa lógica se inverteu. Dali, do meio do rio, Rodrigo* vê a casa que ajudou os pais a construírem ser utilizada por grileiros como base para a destruição da floresta que antes complementava o sustento familiar. “Eu tô com raiva, tô com ódio”, desabafa, constatando que a roça de macaxeira do pai e os pés de frutas nativas como cupuaçu e abacaxi cultivados pela mãe foram substituídos por bois e tratores.

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Em 2018, o casal de extrativistas decidiu fugir do local depois que a casa foi alvejada com tiros de arma de fogo enquanto eles trabalhavam. Antes disso, em duas ocasiões, os cadeados que trancavam as portas foram trocados durante sua ausência.

Desde então, a situação só piorou: de acordo com dados do governo do Estado, já há 765 fazendas dentro da unidade de conservação. E a proximidade das eleições acirra mais os ânimos: “Politicamente, não interessa ao Estado proteger a reserva, que é a mais visada pelos políticos de Rondônia [para extinção]”, analisa Aidee Torquato, ex-promotora do Ministério Público Estadual, que esteve à frente de muitas ações para impedir o fim da área verde.

Na Resex Jaci-Paraná tudo funciona com o sinal contrário. Quase 30 anos após sua criação, há mais pasto do que floresta por lá — embora a lei proíba a pecuária dentro da unidade de conservação. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 55,3% dos seus 191.234 hectares já foram transformados em capim.

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via GIPHY / Infográfico por: Pedro Papini

Apenas dois moradores tradicionais resistem em seus terrenos, mas a população de bovinos cresce exponencialmente sob a proteção dos órgãos oficiais do Estado, que faz, inclusive, o controle de vacinação do rebanho ilegal contra febre aftosa. Enquanto o filho de extrativistas precisa falar baixo e olhar sempre para os lados, evitando ser visto, os invasores criam associações, fazem lobby e erguem faixas pedindo “regularização fundiária“. E o poder público está do lado deles.

“A gente tem que parabenizar essas pessoas que estão trabalhando, ralando, com a mão calejada. Esse é o bandido? Não, eu acho que esse é um herói, deveria ter recebido um prêmio”, defende Evandro Padovani, que até março de 2022 era o secretário de Agricultura de Rondônia — dias depois da declaração dada à reportagem ele deixou o cargo para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PSC (Partido Social Cristão). Em 2018, terminou a disputa como suplente, concorrendo com o slogan “Padovani da Agricultura”, que segue ativo em suas redes sociais e deve ser novamente sua plataforma eleitoral.


Evandro Padovani, que até março de 2022 era o secretário de Agricultura de Rondônia, defende publicamente os agricultores que invadiram ilegalmente a Resex / Otávio Lino

Em 2021, o governador Marcos Rocha (União Brasil), que se elegeu na esteira do bolsonarismo e busca mais quatro anos de mandatocontrariou pareceres da própria Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) e da Procuradoria Geral do Estado e enviou para a Assembleia Legislativa um projeto de lei que praticamente acabava com a Resex. O texto, aprovado sem votos contrários pelos parlamentares — dos 24, 17 votaram a favor do projeto e sete se abstiveram — diminuiria em 90% a área da Resex, de 191 mil para 22 mil hectares.

Saiba mais: Parlamento de Rondônia reduz em 90% reserva Jaci-Paraná em prol da pecuária ilegal

A tentativa de redução da Resex foi freada apenas pelo Judiciário, que considerou a lei inconstitucional — mas parte do estrago já estava feito. “Medidas como essas vão fomentando cada vez mais a invasão, porque dão a ilusão de que em algum momento essas pessoas vão ser regularizadas”, diz Paulo Bonavigo, biólogo e presidente da Ecoporé, uma organização sem fins lucrativos que luta pela proteção do meio ambiente em Rondônia.

A Resex Jaci-Paraná é uma das unidades de conservação onde o desmatamento mais cresce no Brasil, conforme números do Inpe. Não por acaso, está localizada no estado amazônico que mais destruiu suas florestas. “Por causa do agronegócio, Rondônia sempre teve um movimento conservador e antiambiental muito forte. A eleição de Bolsonaro legitimou esse discurso e empoderou ainda mais os invasores”, explica Paulo Bonavigo.

O próprio presidente já teceu elogios à atuação dos deputados de Rondônia, estado que virou um balão de ensaio para as políticas de desregulamentação ambiental patrocinadas pelo governo de Jair Bolsonaro. Por isso, o risco é que a extinção de Jaci-Paraná abra um precedente perigoso para as outras áreas protegidas da Amazônia, cuja preservação é essencial para evitar o avanço do aquecimento global.

“O último relatório do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, na sigla em inglês] mostra que a Amazônia está perdendo o poder de fazer o equilíbrio climático, de resgatar o carbono da atmosfera”, destaca Txai Suruí, liderança indígena de Rondônia que em 2021 capturou a atenção de importantes chefes de Estado ao discursar na tribuna principal da COP 26, a Conferência Mundial do Clima.


“A Amazônia está perdendo o poder de fazer o equilíbrio climático”, destaca Txai Suruí / Otávio Lino

“Essa destruição passa também por comunidades que sempre viveram da floresta e agora estão sofrendo [com invasões e expulsões]”, completa Txai, também coordenadora da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, que trabalha na defesa dos povos indígenas e do meio ambiente há 30 anos.

Peixe grande, peixe pequeno

Dona Cláudia*, mãe de Rodrigo, não teve tempo nem de sentir o gosto dos abacaxis que estavam começando a brotar quando ela e o marido, Roberto*, tiveram que sair fugidos da casa na beira do Rio Jaci-Paraná. A horta com couve, pimenta, cebola e outros temperos também ficou para trás, junto com uma boa parte da saúde de seu Roberto, que nunca se adaptou à vida em Porto Velho, para onde foram após escapar dos invasores.

“Era um monte de homem chegando armado. O trator veio na frente abrindo a estrada, tirando madeira. A casinha ficou lá, tava toda pintadinha”, lembra o idoso.

Assim como eles, a maioria das cerca de quarenta famílias de extrativistas que viviam na Resex Jaci-Paraná quando ela foi criada, em 1996, foi embora por conta das ameaças — realidade que se materializa nas casas abandonadas dentro da reserva. “A gente não vivia em paz, estava sempre assustado. Escutava pau caindo, eles abrindo mato, derrubando para plantar capim para o gado”, conta Isabel*, que também se viu obrigada a largar a floresta às pressas, deixando para trás a máquina de costura e a casa de farinha. “A minha vida foi só em seringal. Eu nunca morei na cidade, assim como tô agora. Eles tiraram meu sossego, minha paz.”


Na Resex Jaci-Paraná, é possível ver algumas das casas abandonadas pelos extrativistas expulsos por fazendeiros / Otávio Lino

Para Gustavo*, a ameaça chegou uma década atrás, pela boca de um homem armado: “O peixe maior é costume engolir um monte de menor”, disse o invasor.

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Sabedor de seu direito àquela terra, garantido por lei, Gustavo foi ao Ministério Público, ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), à delegacia ambiental, ao governo do Estado. Mas enquanto era mandado de um órgão público para o outro, viu as invasões ganharem corpo. Sem apoio, teve que deixar seu lote e passou a viver de favor. “Eles entraram como se fossem um bando de bicho, devorando tudo, vieram com trator, com caminhão. Hoje você só vê capim e boi berrando. Mais nada”, recorda.

Rebanho ilegal cresce 300% em sete anos

Documentos oficiais do governo do Estado mostram que em janeiro de 2022 havia 174.406 cabeças de gado na área protegida — número quase 300% maior do que o registrado em 2015, quando foi feito o primeiro levantamento do rebanho ilegal na Resex.

Parte desses animais abastece diferentes frigoríficos de Rondônia, inclusive aqueles pertencentes a grandes empresas que se comprometeram publicamente a não comprar animais de áreas desmatadas ilegalmente. No ano passado, o jornal estadunidense The New York Times revelou que bois criados na reserva foram comprados por frigoríficos da JBS, Marfrig e Minerva. No caso da JBS, a mesma prática já havia sido denunciada anteriormente pelo ((o))eco e pela Anistia Internacional.

A JBS afirma que essas publicações tinham erros metodológicos e que demonstrou, em cada um dos casos, a regularidade de suas compras. No caso da Marfrig, flagrada pela reportagem do The New York Times buscando gado dentro da Resex, a empresa disse que o erro foi da transportadora que embarcou os animais.

Já a Minerva argumenta que a falta de transparência sobre a movimentação do gado impede o monitoramento da origem dos animais desde o nascimento. Como o gado costuma passar por duas, três ou mais fazendas antes de chegar ao frigorífico, as empresas ficam sujeitas a manobras dos produtores que “lavam” o gado de Jaci-Paraná em fazendas regulares no entorno da reserva. Confira a íntegra das respostas das empresas aqui.

Impedir que os animais criados ilegalmente dentro da Resex chegassem aos consumidores, garantindo lucros para os pecuaristas irregulares, foi uma das maiores brigas de Aidee Maria Moser Torquato ao longo dos 18 anos em que esteve à frente da Promotoria de Meio Ambiente do Ministério Público de Rondônia (MP-RO). Para isso, ela adotou a estratégia de pressionar a Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do estado (Idaron) para que tomasse medidas concretas contra o rebanho ilegal.


Governo de Rondônia fecha os olhos para a ocupação ilegal da reserva para criação de gado / Otávio Lino

O órgão é responsável por garantir que os animais sejam vacinados contra a febre aftosa, por isso sabe quem são os pecuaristas e detém informações preciosas sobre o fluxo comercial entre criadores e frigoríficos. A agência, inclusive, emite os documentos que autorizam o trânsito dos animais de uma fazenda para outra e dessas para os abatedouros.

Caso se abstivesse dessas tarefas, sob a alegação da irregularidade dos bovinos dentro de uma reserva extrativista, o Idaron estrangularia a cadeia que fomenta a grilagem.

Mas as recomendações de Torquato foram solenemente ignoradas pelas autoridades do governo do Estado. “Como o Idaron faz vista grossa e não denuncia quem invadiu a Resex? Como emite a Guia de Trânsito Animal sem questionar a origem do gado? Isso só interessa a quem está lá produzindo gado e enriquecendo”, lamenta a ex-promotora, que se aposentou em 2020.

A reportagem entrou em contato com o Idaron, com a Sedam e o gabinete do governador Marcos Rocha, mas não obteve retorno.

A carne produzida nos municípios que abrangem a Resex Jaci-Paraná é exportada, principalmente para Hong Kong, região autônoma da China, mas também para o Egito, Rússia, Itália, Alemanha, Suiça e Dinamarca e outros 37 países.

Para Ivaneide Bandeira Cardozo, a Neidinha Suruí, coordenadora de projetos da Kanindé, quem compra essa carne também tem sua parcela de culpa na tragédia socioambiental da Amazônia. “Há uma guerra do setor econômico contra a natureza, contra os povos indígenas, contra os extrativistas, e essa guerra destrói o planeta. Nós só vamos parar essa devastação quando o mercado internacional der um basta.”


“Nós só vamos parar essa devastação quando o mercado internacional der um basta”, diz Neidinha Suruí / Otávio Lino

Governo desobedece a Justiça

Desde 2004, já houve pelo menos três decisões judiciais determinando a saída dos invasores da Resex Jaci-Paraná, a restauração da vegetação nativa e o pagamento de multas por parte dos grileiros, mas elas tampouco tiveram efeitos. “O Estado nunca cumpriu”, lembra Torquato.

A exceção foi o período entre 2011 e 2013, em que o hoje ambientalista da Ecoporé Paulo Bonavigo esteve à frente do órgão estadual responsável pela proteção das unidades de conservação do estado e tentou forçar a retirada do gado da área por meio de bloqueios nas estradas de acesso à Resex. O objetivo era impedir a entrada de novos animais e de qualquer insumo à atividade agropecuária. A pressão dentro e fora do governo, no entanto, acabou minando a iniciativa e o levou a deixar o cargo. “Às vezes vinha um assessor de deputado me procurar, ou mesmo advogados ligados a políticos, querendo achar uma brecha legal para manter a invasão”, conta.

Em um estado que tem o agronegócio como carro-chefe da economia, a luta contra a Resex Jaci-Paraná virou bandeira eleitoral. A Assembleia Legislativa do Estado já tentou extinguir ou reduzir a unidade de conservação quatro vezes: em 2014, 2018, 2020 e em 2021, cujo ponto de partida foi um projeto de lei do governador do Estado.

“Essa pauta de redução de unidades de conservação é uma bandeira eleitoral em Rondônia há muitos anos”, explica Paulo Bonavigo, da Ecoporé, que acredita que este ano não será diferente. “Se você pensar que há cerca de 1.600 famílias vivendo ilegalmente dentro da Resex Jaci-Paraná, isso já é quase voto o suficiente para eleger um deputado.”

Por isso, não surpreende que, a 12 quilômetros de onde Rodrigo chora a casa que um dia foi sua, mas ainda dentro do perímetro protegido de Jaci-Paraná, João Marcelo da Silva faça planos de se candidatar a vereador mirando no voto dos grileiros. Ele é presidente da Aparar (Associação dos Pequenos Agricultores Rurais do Assentamento Renascer), que representa invasores assumidos: “Quando chegamos aqui sabíamos que era reserva”, admite. “Só que todo mundo precisava dum pedaço de terra para manter o sustento”, justifica.


“Quando chegamos aqui sabíamos que era reserva”, admite João Marcelo da Silva, presidente da Aparar / Otávio Lino

Silva exibe uma faixa com os dizeres “Nós queremos o zoneamento e a regularização fundiária da área da Resex Jaci-Paraná” e acredita que a regularização dos grileiros será o trampolim para sua candidatura. “Antes de deitar tem que fazer a cama”, brinca. Trânsito na política oficial Silva já tem — segundo ele, foi a seu pedido que a prefeitura de Porto Velho mandou a retroescavadeira que consertava a estrada dentro da área invadida.

Embora os defensores do fim da Resex argumentem que quem está lá são pequenos produtores rurais, os dados do Idaron mostram que entre os invasores da unidade de conservação há pelo menos 21 fazendeiros com mais de mil cabeças de gado — em alguns casos, os rebanhos somam quase três mil animais, enquanto a média em propriedades familiares obtida pelo último censo agropecuário do IBGE é de 80 cabeças por propriedade em Rondônia.

“Nas investigações do Ministério Público detectamos empresários de outros ramos que exploram pecuária dentro da Resex, mas também laranjas. Pessoas que possuem o gado em seu nome, mas que não têm condição financeira para isso”, conta Aidee Torquato. “Já aconteceu de identificarmos uma cabeleireira com 500 cabeças de gado, por exemplo.”

“A gente vê desmatamentos de quase 1.000 hectares de uma hora pra outra, e isso exige muito dinheiro, então não são pessoas com pouca renda que foram invadindo essas áreas”, salienta Paulo Bonavigo, da Ecoporé.

Vitória do atrevimento

José Maria, um dos fundadores da Organização dos Seringueiros de Rondônia e principal liderança extrativista do Estado, ainda guarda as fotos tiradas em 9 de março de 1996, quando foi realizada a assembleia de criação da associação de extrativistas de Jaci-Paraná. Na imagem, cerca de trinta pessoas, a maioria homens, olham sorridentes para a câmera. Em outro retrato, Zé Maria e um companheiro tomam banho em um rio ainda cercado pela floresta densa, imagem rara atualmente dentro da área.

A extensão do estrago é o principal argumento de quem quer o fim da reserva. “A floresta a gente tem que cuidar enquanto ela não foi derrubada. Depois que derrubou, não adianta”, argumenta Padovani.

:: PL que flexibiliza regularização fundiária premia invasores, avaliam especialistas ::

Mas a Justiça brasileira não aceita a teoria do fato consumado – de que a retirada dos invasores é inútil porque o desmatamento já aconteceu – como justificativa para a perpetuação de crimes ambientais. O desembargador Miguel Monico Neto, do Tribunal de Justiça de Rondônia, reforça esse entendimento: “Seria uma vitória do atrevimento. Vamos premiar a ilegalidade?”, questiona o magistrado, que votou contra o projeto de redução da Resex na sessão que declarou a iniciativa inconstitucional.

“Juridicamente, não existe fato consumado quando o assunto é a proteção do meio ambiente. O que é ilegal é ilegal e tem que ser recuperado”, frisa Torquato, que desenvolveu, junto com técnicos do MP, um cálculo para cobrar indenizações pela perda de biodiversidade — dinheiro que poderia ser aplicado em programas de recuperação ambiental.

A justificativa de quem quer entregar a Resex aos invasores tampouco encontra respaldo na ciência e na experiência prática, já que a floresta já provou que é capaz de se recuperar pelo simples abandono da área. Apenas na Amazônia, pesquisadores identificaram 7,2 milhões de hectares passíveis de recuperação, o equivalente a 60% da meta assumida pelo Brasil no Acordo de Paris, de recuperar 12 milhões de hectares de florestas até 2030. É quando se encerra o período que a ONU (Organização das Nações Unidas) designou como a “Década da Restauração” para inspirar e apoiar governos, empresas e sociedade civil a promoverem iniciativas de recuperação florestal em todo o mundo.

“Ao contrário do discurso do governo, a gente acredita que dá para recuperar a Resex, reflorestar, devolver aos seringueiros que foram expulsos e desenvolver com eles projetos de reflorestamento”, defende Neidinha. “A gente tem que devolver para a floresta aquilo que tiramos dela e só assim que a gente vai conseguir reverter essa crise pela qual estamos passando”, acrescenta Txai Suruí.

*Por questão de segurança, os nomes dos entrevistados foram modificados.

**Essa reportagem foi financiada pela WWF Brasil.

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ONG Construindo Igualdade é contemplada pelo Programa Acolher+, do Ministério dos Direitos Humanos

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Casa de Acolhimento receberá recursos para aquisição de materiais

Na semana em que completa seu terceiro aniversário, a Casa de Acolhimento da ONG Construindo Igualdade, de Caxias do Sul, foi uma das 12 iniciativas contempladas pelo Programa Acolher+, parceria entre o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Com o reconhecimento em nível federal, a primeira casa de acolhimento LGBTQIA+ do Sul do Brasil receberá quatro parcelas de R$ 4,6 mil para aquisição de materiais de consumo, como alimentos, itens de higiene pessoal e produtos de limpeza.

“Essa verba é um reconhecimento da seriedade do nosso trabalho e vai ajudar a manter a Casa de Acolhimento funcionando, sendo um ponto fundamental para receber pessoas LGBTs em situação de vulnerabilidade. Desde que abrimos as portas, nossa casa tem sido um refúgio para a comunidade LGBT, proporcionando apoio emocional, recursos essenciais e um ambiente onde todas, todos e todes podem ser verdadeiramente quem são”, comemora Cleo Araújo, voluntária da ONG.

Desde sua inauguração, em maio de 2021, a Casa de Acolhimento já recebeu mais de 100 pessoas, proporcionando um local seguro para moradia temporária, além de assistência psicológica e apoio com cursos de capacitação. Atualmente, o espaço pode receber até quatro moradores.

Além da Casa de Acolhimento da ONG Construindo Igualdade, de Caxias do Sul (RS), foram contempladas: a Casa Cores, de Petrolina (PE); o Casarão Brasil, de São Paulo (SP); a Casa Gold, de Vitória (ES); a Casa Nem, do Rio de Janeiro (RJ); a Outra Casa Coletiva, do Ceará; o Centro de Acolhimento Ezequias Rêgo da Rocha, de Maceió (AL); a Casa Miga, de Manaus (AM); a Casa Rosa, do Distrito Federal; a Casa Resistências, do Rio de Janeiro (RJ); a Casa Florescer, do Maranhão; e a Casa Dulce Seixas, do Rio de Janeiro (RJ).

Os recursos do Programa Acolher+ são destinados exclusivamente para aquisição de materiais de consumo, como alimentos, materiais de limpeza e utensílios domésticos. Com isso, a ONG Construindo Igualdade segue em busca de doações para custeio das despesas de aluguel, água, luz e gás. Interessados em ajudar a primeira casa de acolhimento LGBTQIA+ do Sul do Brasil podem entrar em contato com Cleo Araújo pelo fone/whats (54) 99161-3078.

Agenda em Brasília

Além da oficialização do repasse de verbas do Programa Acolher+, Cleo Araújo está em Brasília cumprindo uma agenda de reuniões no Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e na Secretaria Extraordinária para Apoio à Reconstrução do Rio Grande do Sul. Em pauta, está o acolhimento a pessoas LGBTQIA+ afetadas pela tragédia climática que já deixou mais de 540 mil gaúchos desabrigados.

“Estou participando de um grupo de trabalho que acompanha com atenção os casos de violência contra a comunidade LGBT relatados durante este período terrível que estamos passando no Rio Grande do Sul. Vamos apresentar à equipe do ministro Paulo Pimenta um pedido para instalação de um espaço de acolhimento para pessoas LGBTs em Porto Alegre”, antecipa Cleo.

Sobre a ONG

A ONG Construindo Igualdade é uma entidade sem fins lucrativos de Caxias do Sul (RS) que iniciou suas atividades em 2003, a partir da necessidade de organização da comunidade LGBTQIA+. Dirigida por uma comissão de pessoas LGBTs, tem como missão combater qualquer tipo de discriminação e violação de direitos humanos em função da orientação sexual ou identidade de gênero, atuando para garantir o direito à cidadania plena e à livre expressão. Possui um histórico de atuação com pessoas em situação de vulnerabilidade, mulheres vítimas de violência doméstica e pessoas convivendo com HIV e AIDS, por meio de ações de assistência social, saúde, advocacia, educação, cultura e acolhimento.

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Prefeitura autoriza pagamento dos transportadores escolares do interior

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Em virtude das aulas suspensas, empresas temiam não receber do município.

O Prefeito Adiló Didomenico autorizou, na tarde desta segunda-feira (20), o pagamento dos transportadores escolares que fazem cerca de 70 roteiros no interior do município. As empresas temiam não receber do município em virtude das aulas nas escolas do interior estarem suspensas desde o dia 02 de maio, em virtude das condições das estradas, muitas atingidas com quedas de barreiras devido às fortes chuvas.

Adiló garantiu o pagamento dos custos fixos das viagens para não impactar os empresários do setor. O valor do repasse é de cerca de R$ 45 mil por dia até a normalidade do serviço. “Numa reunião a pouco com a representação dos transportadores escolares, autorizamos o pagamento do custo fixo para minimizar o prejuízo desses empresários, que já enfrentaram uma dificuldade muito grande na pandemia, e que estão parados devido à suspensão das aulas no interior”, explica o Prefeito.

O transporte escolar do município é contratado via licitação, em um investimento de R$ 1,5 milhão (todo transporte escolar).

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Prefeitura realiza mutirão de vacinação neste sábado

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População poderá se vacinar em UBSs, shopping Villagio Caxias e Praça Dante Alighieri (conforme o clima).

A Prefeitura de Caxias do Sul, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), realiza um mutirão de vacinação neste sábado (18/05). Além das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), haverá pontos de vacinação no Shopping Villagio Caxias e também na Praça Dante Alighieri (este poderá ser suspenso de acordo com a condição climática). Em todos os pontos haverá vacina contra a gripe (Influenza). Nas UBSs também haverá doses de rotina para atualização da caderneta.

As Unidades Básicas de Saúde (UBSs) estarão abertas para ofertar as vacinas do calendário de rotina da criança, do adolescente e do adulto entre 8h e 17h. Apenas as UBSs Centenário e Vila Cristina não abrem. A Secretaria da Saúde orienta a população a colocar em dia principalmente as vacinas que previnem doenças a que pode ter sido exposta em função dos alagamentos dos últimos dias, como tétano e hepatite B. Também estará disponível a vacina contra a gripe (Influenza).

A Secretaria Municipal da Saúde reforça que a vacinação do calendário de rotina, incluindo as vacinas contra tétano, hepatite b e febre amarela estará disponível apenas para a população que não estiver em dia com essas vacinas. Não há recomendação para vacinação indiscriminada de toda a população.

Nos pontos de vacinação no shopping Villagio Caxias e na Praça Dante Alighieri (este com o ônibus da Cruz Vermelha) estará disponível apenas a vacina contra a gripe, que está liberada para toda a população de seis meses de idade ou mais.

É preciso levar documento pessoal e caderneta de vacinação. Para crianças é obrigatória a apresentação da caderneta.

SERVIÇO

Mutirão de Vacinação

Sábado 18/05

Shopping Villagio Caxias

10h às 16h

Apenas vacina da gripe

Praça Dante Alighieri – com ônibus da Cruz Vermelha*

Apenas vacina da gripe

10h às 15h

*ação poderá ser cancelada de acordo com a condição do clima

Todas UBSs (exceto Centenário e Vila Cristina)

8h às 17h

Vacinas do calendário de rotina

Vacina da gripe

Levar documento pessoal e caderneta de vacinação

OBS: para crianças é obrigatória a apresentação da caderneta

Devido às enchentes, fique atento se você ou seu filho estão com as seguintes vacinas em dia:

Tétano

  • – Criança até 4 anos (vacina DTP): deve ter 2 doses.
  • – Adolescente (vacina dT): deve ter 3 doses no total, incluindo as 2 da infância.
  • – Adulto (vacina dT): deve ter 3 doses no total, se não vacinado na infância ou adolescência. E um reforço a cada 10 anos.

Hepatite B

  • – Adolescente: deve ter 3 doses no total (incluindo a dose da infância).
  • – Adulto: deve ter 3 doses no total (incluindo doses da infância e adolescência).
  • – Gestante: deve ter três doses (se não vacinada anteriormente).

Febre amarela

  • – Criança: deve ter 2 doses.
  • – Adolescente: dose única (se não vacinado anteriormente).
  • – Adulto: dose única (se não vacinado anteriormente).

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