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Saúde

Município de Caxias sinaliza com intervenção no Hospital Pompeia

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Medida será adotada caso a administração da instituição de saúde mantenha-se irredutível na proposta de reduzir os serviços prestados ao SUS

O prefeito Adiló Didomenico confirmou na tarde desta quarta-feira (17/08) que o Município de Caxias do Sul decretará intervenção na gestão do Hospital Pompeia de forma a garantir a adequada prestação de serviços à população atendida por meio do Sistema Único de Saúde. A decisão deve-se ao anúncio da instituição hospitalar, feito em ofício enviado ao Executivo, de descontinuar o serviço materno-infantil no prazo de 90 dias, contado a partir de 16 de agosto, além de propor uma série de reduções nos atendimentos pactuados em contrato vigente até 30 de setembro. “Decretaremos a intervenção caso a gestão do hospital se mantenha irredutível nesta proposta”, declarou o prefeito em entrevista coletiva à imprensa e transmitida ao vivo por rede social da Prefeitura.

A decretação da intervenção não tem prazo previsto para ocorrer. Dependerá dos próximos posicionamentos do hospital. O prefeito declarou, no entanto, que as conversas terão de ser retomadas de imediato, envolvendo, em essência, o Bispado e o Pio Sodalício das Damas de Caridade, organizações mantenedoras da instituição.

O procurador-geral do Município, Adriano Tacca, elencou que a saúde é um direito constitucional de toda a população. A descontinuidade da prestação dos serviços de saúde por parte do hospital Pompeia desencadeará um estado de calamidade pública na área da saúde pública. Diante disso, cabe ao governo, neste caso o Município de Caxias do Sul, agir para evitar que a população fique sem opções de atendimento hospitalar. “Nessas circunstâncias (calamidade), o Município decretará a calamidade pública na área da saúde do Hospital Pompeia. No mesmo documento indicará a intervenção na instituição de saúde, a requisição de toda estrutura física e de pessoal existente, a destituição do quadro diretivo do hospital e dos conselhos existentes e a indicação do interventor, o qual responderá diretamente ao prefeito. Trata-se de medida drástica, mas que poderá ser utilizada para garantir que a população continue tendo acesso aos serviços de saúde prestados pelo hospital”, detalhou.

A secretária da Saúde, Danielle Meneguzzi, registrou que, em momento algum, faltou diálogo por parte da Prefeitura em construir a melhor solução de forma coletiva. Em 3 de agosto houve a mais recente reunião quando ficou acertado que o hospital responderia à proposta de renovação de contrato feita pela Prefeitura. A partir dela seria criada uma comissão para construir um novo contrato. “Mas o que se viu foi o anúncio à imprensa das medidas que o hospital pretende adotar. Antes mesmo de ofício chegar à Prefeitura. Ou seja, se apresentou algo já pronto, definitivo”, assinalou

Acrescentou que os contratos são acordados no sistema tripartite, envolvendo Município, Estado e União, condição que precisa ser igualmente considerada quando há o descredenciamento. “Temos trâmites a seguir. Não basta apenas oficiar o fim de um serviço, sem que os entes públicos se manifestem. Para aceitar a redução ou o fim de um atendimento, o governo precisa encontrar novos prestadores e isto não faz de uma hora para outra. Sem novos parceiros, levaremos a saúde ao caos, correndo de risco de pessoas morrerem por falta de atendimento”, manifestou.

Danielle Meneguzzi informou que a Prefeitura aceitou, ainda no ano passado, a redução de alguns serviços pelo hospital de forma a ajudar no reequilíbrio financeiro. Porém, no caso atual, a administração do Pompeia não pleiteia mais recursos, apenas o fim e a redução de atendimentos. “É preciso considerar que esta solicitação impactará nos valores atualmente repassados ao hospital. Só a Prefeitura tem participado com valor mensal de R$ 1,8 milhão. Ainda há repasses do Estado e da União”, ponderou. Frisou que a decisão do Pompeia não impacta somente a população de Caxias do Sul, mas dos demais 48 municípios da região de referência.

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Saúde

Trabalho de equipe de fonoaudiólogas em escolas de Caxias do Sul ajuda crianças a largar chupeta e mamadeira

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Além de corrigir transtornos de aprendizagem, ação pode contribuir para acelerar encaminhamentos e, assim, reduzir a necessidade de terapia pela rede pública

Do alto de seus quatro anos de idade, Heloísa Soares Alban pode não saber, mas já se tornou uma influenciadora (não-digital) entre o público do Maternal 2 da Escola de Educação Infantil (EEI) Nivaldo Kercher. Há poucos dias, a tendência lançada por ela de tirar o bico da boca e entregar para a Fada da Chupeta ganhou seguidoras. Algumas ainda estão na tentativa. Mas, pelo menos uma colega também já conseguiu se desfazer do artefato. Para alívio da mãe, que – como acontece em tantas casas – vinha enfrentando forte resistência na conquista desta etapa do crescimento. O gesto espontâneo de Heloísa, que já tirou uma carga dos ombros de sua família e da amiga, ocorreu no dia em que a escola recebeu a visita de uma equipe de fonoaudiólogas da Secretaria Municipal de Educação (SMED) – acompanhada da Fada da Chupeta, claro.

“A Heloísa assistiu toda apresentação feita para as crianças, que contava uma história, era super animada, levantou e foi espontaneamente entregar o bico. A mãe da Helena, que é a estudante que abandonou o bico agora, estimulada pela colega, deu risada no telefone, quando ligamos avisando. Porque ela já vinha tentando tirar há algum tempo e não conseguia”, relata a coordenadora da unidade de ensino, Neoclésia Ghissoni.

A servidora conta que as mudanças manifestadas pelas crianças após a passagem das fonoaudiólogas da SMED foi significativa e perceptível. Desde a volta às aulas após a pandemia, o modo como o uso de chupeta e mamadeira se alastrou entre as crianças estava preocupando as educadoras. E mesmo com o envolvimento das famílias, estava difícil reverter a situação.

“Nada teve tanto efeito como o trabalho das fonos. Elas chegam vestidas de personagens de histórias, fazem uma festa e conquistam as crianças. Para nós, é um grande apoio pedagógico”, afirma Neoclésia.

Satisfação compartilhada por Bruna Soares Alban, mãe de Heloísa, que superou dois desafios de uma vez só ao entregar a chupeta:

“Há mais ou menos um mês vínhamos tentando tirar, mas não conseguíamos. A Heloísa é uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e usava bico desde que nasceu. Agora está só com uma cobertinha. Foi um alívio. Ela estava demorando para falar e até nisso ajudou. Até para dormir está melhor, está roncando menos. Estou admirada”, revela a mãe.

Resultados positivos em outras escolas

Depoimento similar ao das educadoras e famílias da Escola de Educação Infantil (EEI) Nivaldo Kercher se espalham pela rede municipal de Caxias do Sul, a partir da iniciativa desenvolvida pela Diretoria Pedagógica da Secretaria Municipal de Educação (SMED).

“Na mesma semana em que as especialistas estiveram aqui, já tivemos retorno de inúmeras famílias, que relataram que as crianças, de forma consciente, levaram as orientações para casa e realizaram alguns combinados, como a retirada de chupetas e mamadeiras para melhorar a saúde e a expressão oral. A escola e as crianças de forma individual são contempladas com essas ações. É um trabalho que favorece a todos e enriquece o trabalho na escola. Também é preciso destacar a proximidade destes profissionais atuando diretamente no ambiente escolar e auxiliando com este olhar atento e amoroso”, afirma a coordenadora pedagógica da EEI Aracy Maria Casagrande Sehbe, Cássia Morrudo.

Para a coordenadora da EEI Aprendendo a Viver, a partir da visita da equipe de fonoaudiologia, as próprias educadoras despertaram um olhar mais apurado para as crianças e seus comportamentos de fala.

“As famílias se sentiram acolhidas e amparadas, comentando que a escola e a secretaria estão atentas ao desenvolvimento das crianças e agilizando o processo com a UBS. Enfim, todos preocupados com o bem-estar das crianças e sua evolução”, observou Liliam Luchi.

Para desfazer estrago da pandemia

Desde o início do ano, um grupo de quatro profissionais do Núcleo de Fonoaudiologia Educacional da SMED – COMUNICAR já percorreu 10 escolas da rede municipal, alcançando mais de 300 estudantes e dezenas de professores com o projeto ComunicAÇÃO – de assessoria aos educadores e realização de ações com os alunos em torno dos hábitos orais nocivos. A iniciativa pedagógica é mais uma entre várias desenvolvidas pela secretaria, atingindo toda a rede, direta ou indiretamente, com o propósito de recuperar o aprendizado e a convivência dos estudantes dos escombros da pandemia, que tirou a vida escolar da normalidade nos últimos dois anos.

“É um trabalho que começou com a busca ativa na rede, para saber das necessidades coletivas das escolas e envolve prevenção, promoção da saúde e comunicação”, revela a fonoaudióloga Lisiane Catusso.

Os professores recebem assessoria técnica, em forma de mini-oficinas nas áreas de linguagem, audição, comunicação aumentativa e alternativa e consciência fonológica, dentre outras. E para as crianças, há ações de prevenção aos distúrbios causados por hábitos orais nocivos, trabalhadas por meio de atividades lúdicas, como teatro com fantoches, contação de histórias e atividades musicais.

“Entre os objetivos está o abandono do uso prolongado da chupeta e da mamadeira, por exemplo, além da estimulação das funções de mastigação, respiração e fala”, explica Lisiane.

Para completar, o trabalho também ajuda a acelerar o andamento de parte da fila dos atendimentos pela saúde pública.

“Com as fichas de observação desenvolvidas pela equipe de fonoaudiologia da SMED e preenchidas pelas professoras e coordenadoras, a criança com suspeita de alterações fonoaudiológicas pode ir direto da UBS para o processo de triagem, sem a necessidade de passar por mais uma avaliação médica. Já se antecipa uma etapa no encaminhamento para a terapia” acrescenta a profissional.

Formação adicional para professores

Além da abordagem de fonoaudiologia educacional com as crianças, 2022 também acrescentou uma nova formação ao quadro de professores da SMED – já acostumado à exigência de qualificação contínua. A mesma equipe de profissionais do COMUNICAR desenvolve outro projeto, que oferta capacitação sobre as habilidades que antecedem a aquisição da leitura e da escrita e que são responsáveis por fornecer um suporte rico e adequado para a alfabetização.

“O objetivo desta ação foi proporcionar aos professores a compreensão acerca das habilidades preditoras necessárias para o sucesso na alfabetização e como adquiri-las, já que são fundamentais para que o estudante desenvolva a capacidade de refletir sobre a própria língua”, explica a diretora pedagógica da SMED, Paula Martinazzo.

Professora da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Caetano Costamilan, Marcélia de Avilla relata: “Foi a primeira vez que tive a oportunidade de estar em contato com assuntos tão pertinentes no dia a dia de uma sala de aula que visa a alfabetização e o letramento. E, poder pensar sobre a complexidade de todo este processo trouxe alívio a

algumas inquietações e preencheu algumas lacunas. Só tenho a agradecer”.

Na formação foram abordados o processamento auditivo central, visual, cognitivo, a velocidade de processamento e a consciência fonológica. Os participantes tiveram acesso à teoria e prática das habilidades relacionadas a estas temáticas, oferecidas em quatro encontros presenciais no Instituto de Leitura Quindim e no auditório da SMED.

“2022 é o primeiro ano que leciono no primeiro ano do ensino fundamental. O curso tem me ajudado muito, diariamente. Com ele, pude aprender e refletir sobre o processo de alfabetização. Além disso, foram-me apresentadas muitas atividades que poderiam ajudar os meus alunos, muitas das quais não tinha tido contato anteriormente. Agradeço a dedicação das fonos em todas as aulas”, comenta a professora da EMEF Manoel Pereira dos Santos, Fernanda Capelini.

Fotos: Elisabete Bianchi

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Setembro Amarelo: Servidores recebem flores e mensagens relacionadas à prevenção ao suicídio

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Programação da SMRHL inclui palestra e oficinas

A semana dos servidores que atuam no Centro Administrativo de Caxias do Sul começou de um jeito mais leve. Eles foram recebidos com sorrisos e presenteados com mudas de flores de tom amarelo, entregues por psicólogas da Secretaria de Recursos Humanos e Logística (SMRHL). A acolhida dá início às ações do projeto “Vamos Falar?” deste mês.

A campanha Setembro Amarelo inspirou as atividades do projeto “Vamos Falar?” deste período. Na recepção, cada muda continha uma frase e uma fita amarela, tudo isso com o intuito de abordar a prevenção ao suicídio. As atividades têm continuidade na próxima quinta-feira (15/09) com a palestra “Uma conversa sobre suicídio” e nos dias 22 e 27 de setembro com duas oficinas de “Origami”.

O Setembro Amarelo é uma campanha brasileira que existe desde 2015, dedicada à conscientização da prevenção ao suicídio. De acordo com muitos profissionais, o tema do suicídio ainda é tabu nos dias atuais, por isso as conversas sobre o tema são uma oportunidade de compartilhar informações e romper preconceitos, a fim de que as pessoas possam ter acesso ao auxílio necessário.

As profissionais que receberam os servidores atuam na Gerência de Acompanhamento Psicossocial e Estágio Probatório, vinculada à Diretoria de RH da SMRHL.

Foto por Cláudia Hans

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Saúde

Piso de enfermagem é direito conquistado e não pode haver retrocesso, alerta técnico do Dieese

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A hostilidade de ministros aos direitos da classe trabalhadora, arduamente conquistados, parece ser uma marca de classes do Supremo Tribunal Federal (STF) que está sendo novamente exposta nesses dias em relação ao piso salarial nacional das trabalhadoras e trabalhadores em Enfermagem.

Ansiado pelos profissionais, que se destacaram no combate à pandemia, o piso foi aprovado recentemente pelas duas casas do Congresso Nacional e sancionado pelo presidente. Mas o ministro Luiz Roberto Barroso, do STF, acatando ação de uma entidade patronal (Confederação Nacional da Saúde), resolveu monocraticamente suspender a eficácia da lei, negando aos assalariados o gozo do direito conquistado.

O tema está agora sob análise do pleno, ou seja, do conjunto de 11 juízes que compõem o STF, e pelo andar da carruagem deve prevalecer uma decisão contrária à categoria.

O piso nacional da Enfermagem corresponde a uma reivindicação histórica das trabalhadoras e trabalhadores, conforme lembrou Victor Pagani, supervisor do escritório do Dieese em São Paulo, que criticou a decisão do ministro Barroso e está convencido de que não tem justificativa plausível para negar o direito. Assista o vídeo

Foto: Reprodução [email protected] – enfermeiros protestam pelo piso em Recife

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