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Mercosul e União Europeia assinam acordo comercial

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Documento integra mercado que reúne 720 milhões de pessoas.

Após 26 anos de negociação, representantes dos blocos de integração regional Mercosul e União Europeia (UE) assinaram, neste sábado (17), um acordo de livre comércio com potencial de integrar um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas (450 milhões na UE e cerca de 295 milhões no Mercosul).

Aprovado por ampla maioria dos 27 países que integram a UE, o tratado foi assinado em Assunção, no Paraguai – país que, desde dezembro de 2025, preside temporariamente o Mercosul.

O evento contou com a presença de representantes dos países-membros, a exemplo dos presidentes Javier Milei (Argentina); Rodrigo Paz (Bolívia); Santiago Peña (Paraguai) e Yamandú Orsi (Uruguai), bem como da cúpula europeia, como Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu.

Por questões de agenda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não viajou ao Paraguai. O Brasil foi representado na cerimônia de assinatura pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Na véspera (16), contudo, Lula recebeu Ursula e Costa no Rio de Janeiro, onde discutiram a implementação do acordo comercial e outros temas da agenda internacional.

Protocolar, a assinatura do acordo comercial formaliza o fim da fase de tratativas técnicas e políticas iniciadas em junho de 1999, quando as partes começaram a negociar seus termos. O texto estabelece a gradual eliminação de tarifas de importação para mais de 90% do comércio bilateral, envolvendo bens industriais (máquinas, ferramentas, automóveis e outros produtos e equipamentos) e produtos agrícolas.

O texto será submetido à ratificação do Parlamento Europeu e dos congressos nacionais de cada país integrante do Mercosul. A entrada em vigor da parte comercial do acordo depende da aprovação legislativa, com previsão de implementação gradual ao longo dos próximos anos. De qualquer forma, a expectativa é que o tratado seja implementado gradualmente e que seus efeitos práticos demorem algum tempo para começar a ser sentidos, estabelecendo a maior zona de livre comércio do mundo.

Celebrado por governos e setores industriais, o acordo é alvo de críticas e protestos de agricultores europeus que temem a concorrência dos produtos sul-americanos, já que, entre outras coisas, eliminará tarifas alfandegárias.

O tratado também é alvo da desconfiança de ambientalistas, que criticam possíveis impactos sobre o clima e a concorrência agrícola – embora a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silvaavalie que o texto final está alinhado à agenda ambiental, em termos capazes de promover o desenvolvimento e proteger a natureza.

Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que a implementação do acordo pode incrementar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões e ampliar a diversificação das vendas internacionais brasileiras, beneficiando inclusive à indústria nacional.

>> Confira os principais pontos do acordo

1. Eliminação de tarifas alfandegárias

Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços;

Mercosul: zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos;

União Europeia: eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.

2. Ganhos imediatos para a indústria

Tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais.

>> Setores beneficiados:

Máquinas e equipamentos;

Automóveis e autopeças;

Produtos químicos;

Aeronaves e equipamentos de transporte.

3. Acesso ampliado ao mercado europeu

Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo;

UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões;

Comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas.

4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis

Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação;

Acima dessas cotas, é cobrada tarifa;

Cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas, em vez de liberar entrada sem restrições;

Mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus;

Na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil;

No mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.

5. Salvaguardas agrícolas

>>UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se:

Importações crescerem acima de limites definidos;

Preços ficarem muito abaixo do mercado europeu;

Medida vale para cadeias consideradas sensíveis.

6. Compromissos ambientais obrigatórios

Produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal;

Cláusulas ambientais são vinculantes;

Possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris.

7. Regras sanitárias continuam rigorosas

UE não flexibiliza padrões sanitários e fitossanitários.

Produtos importados seguirão regras rígidas de segurança alimentar.

8. Comércio de serviços e investimentos

>>Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros.

>>Avanços em setores como:

Serviços financeiros;

Telecomunicações;

Transporte;

Serviços empresariais.

9. Compras públicas

Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na UE;

Regras mais transparentes e previsíveis.

10. Proteção à propriedade intelectual

Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias;

Regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.

11. Pequenas e médias empresas (PMEs)

Capítulo específico para PMEs;

Medidas de facilitação aduaneira e acesso à informação;

Redução de custos e burocracia para pequenos exportadores.

12. Impacto para o Brasil

Potencial de aumento das exportações, especialmente do agro e da indústria;

Maior integração a cadeias globais de valor;

Possível atração de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo.

13. Próximos passos

Aprovação pelo Parlamento Europeu;

Ratificação nos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai;

Entrada em vigor apenas após conclusão de todos os trâmites;

Acordos que extrapolam política comercial precisam ser aprovados pelos parlamentos de cada país.

Fonte: Agência EBC

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Sindicato dos Metalúrgicos adquire hotel em Arroio do Sal

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Paulo Pretz

O hotel do trabalhador é um presente ao seu associado, no ano em que comemora 93 anos.

Esta é a última aquisição do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Caxias do sul e Região. Neste dia 06 de março, a entidade completa 93 anos de atuação na região, uma caminhada de lutas e conquistas à categoria. O sindicato já tem a sede campestre, com uma ampla área de lazer para os seus associados, no entanto, a diretoria comemora mais esta conquista para os trabalhadores e trabalhadoras. O hotel do Trabalhador tem cerca de um quarteirão de área construída e está localizado na praia de Arroio do Sal. Neste primeiro momento, deve passar por uma reforma para uma maior comodidade aos associados usufruírem já na próxima temporada de verão. São 97 apartamentos com capacidade para hospedar até quatro pessoas, piscina adulta e infantil, restaurante e salão de festas.

Juntamente com o anúncio da compra do hotel, o sindicato lança a nova campanha de sócios com o slogan “Para Viver Melhor o Ano Todo”.

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Noite Gospel reúne mais de 20 mil pessoas na Festa da Uva

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Alana Haeuser

O evento contou com shows, pregação, stand-up e momento para crianças.

Na noite desta terça-feira (03), Caxias do Sul viveu mais uma edição da Noite Gospel, evento integrante da programação oficial da Festa da Uva e que, em 2026, celebra 10 anos de realização. Consolidada como uma das maiores programações de música cristã da Serra Gaúcha, a iniciativa já havia reunido cerca de 46 mil pessoas ao longo das edições anteriores e, neste ano, continuou a mobilizar caravanas de igrejas, famílias e visitantes de toda a região, conquistando mais de 20 mil participantes ao longo da noite. O evento aconteceu no Pavilhão 02 do Parque da Festa da Uva, com entrada gratuita. 

Com o tema “Fruto do Sonho de Deus”, o evento promoveu orações em favor da cidade e da Festa da Uva, juntamente com a valorização da música gospel, reunindo atrações nacionais, regionais, momentos de reflexão espiritual e até mesmo um stand-up. O Pr. Marciano Silva, presidente da Assembleia de Deus de Antônio Prado, foi o pregador da noite. Ele incentivou o público a ter um relacionamento com Deus.

Passaram pelo palco, Pr. Gaúcho, Fundamento Tchê, Miriam Santtus, Verbo Music, Guilherme Rahts, Obras do Rei, Lucas e Raquel, além da programação infantil com Tia Sí e Sua Turma, com contação de histórias bíblicas e músicas divertidas.

A grande noite foi encerrada pelo cantor Wilian Nascimento, um dos nomes de destaque da música gospel brasileira, indicado ao Grammy Latino de 2015, que emocionou o público ao interpretar sucessos.

Outro destaque da programação foi o Festival Colhendo Talentos, um concurso que abriu espaço para artistas regionais, evidenciando a força da música cristã local. 

Estiveram presentes diversas figuras políticas do país e da cidade. Entre eles, o deputado federal Ronaldo Nogueira (Republicanos), os deputados estaduais Elizandro Silva de Freitas Sabino (PTB) Neri, o Carteiro (PSDB). O deputado federal Osmar Terra (PL) foi representado por sua assessora, Andreia Garbin. Também estiveram presentes o prefeito de Caxias do Sul, Adiló Didomenico, acompanhado de sua família, e o vice-prefeito Edson Nespolo, também com sua família. Os vereadores de Caxias do Sul (RS) Calebe Garbin (PP), Daiane Mello (PL), Pedro Rodrigues (PL) prestigiaram o evento também.

A 5ª edição da Noite Gospel reafirmou sua relevância dentro da programação da Festa da Uva, consolidando-se como um espaço de encontro, espiritualidade e expressão cultural na Serra Gaúcha. O evento contou com uma intérprete de LIBRAS e serviços de acessibilidade, garantindo que todos pudessem aproveitar a noite.

A Noite Gospel foi realizada pela Associação de Ministros e Ministérios Evangélicos de Caxias do Sul (AMMECS), Festa Nacional da Uva, Associação de Capelães do Brasil (ACAB) e Prefeitura de Caxias do Sul.

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Dia da Mulher: Mulheres ampliam espaço na indústria

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Miqueias dos Santos

Presença feminina cresce em funções técnicas e de liderança, impulsionando mudanças no ambiente fabril.

A presença feminina na indústria brasileira vem deixando de ser exceção para se tornar parte estrutural do ambiente fabril. Historicamente associado à predominância masculina, o setor produtivo passa por um processo gradual de transformação, com mulheres ocupando funções técnicas, operacionais e estratégicas que, até pouco tempo atrás, eram culturalmente restritas.

Além de uma ampliação numérica, o movimento representa uma mudança de mentalidade. Empresas que investem na diversidade relatam impactos positivos no clima organizacional, na colaboração entre equipes e na qualificação profissional. A inserção feminina em áreas operacionais também tem estimulado novas trajetórias de carreira, incentivando a busca por formação técnica e crescimento interno. Entre os reflexos práticos, constam relatos do setor indicando que a presença feminina contribui para maior atenção a padrões de qualidade, organização do ambiente produtivo e rigor no cumprimento de normas de segurança, fatores que influenciam diretamente a eficiência industrial.

Um exemplo desse movimento é a Multiflon, indústria de utensílios para cozinha com 60% do quadro funcional composto por mulheres. A participação feminina está distribuída em praticamente todos os setores da empresa, incluindo produção, qualidade, expedição, almoxarifado, áreas administrativas e gestão. Desde 2024, mulheres também passaram a atuar em funções historicamente masculinas dentro da metalurgia, como operação de máquinas de pintura e empilhadeiras.

Atualmente, cinco mulheres ocupam cargos de liderança na companhia, em posições de gerência, coordenação e supervisão. A empresa também oferece auxílio educação para cursos técnicos, graduação e pós-graduação, benefício disponível a todos os colaboradores, independentemente de gênero.

Para Rochele Pagnoncelli, coordenadora de Recursos Humanos da Multiflon, a ampliação da presença feminina é resultado de uma visão estratégica de longo prazo. “A indústria está evoluindo porque entende que competência não tem gênero. Homens e mulheres possuem habilidades diferentes e complementares, e quando trabalham lado a lado, os resultados aparecem naturalmente. O que estamos vivendo é uma mudança cultural que fortalece o ambiente produtivo e amplia as oportunidades para bons profissionais”, afirma.

O avanço das mulheres na indústria demonstra um impacto bem-vindo no desempenho, na inovação e na sustentabilidade organizacional, apontando para um setor cada vez mais plural e alinhado às transformações sociais e econômicas contemporâneas.

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