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Economia

Decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derruba tarifaço é vista com cautela por calçadistas

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Exportações para os Estados Unidos acumulam queda desde o segundo semestre do ano passado.

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, que considerou ilegais as tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump repercutiram no setor calçadista brasileiro. Conforme a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), a decisão é positiva, mas vista com cautela. 

O presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, destaca que a decisão divulgada quanto ao uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para a imposição de tarifas implica na perda de viabilidade legal da sobretaxa de 50% aplicada aos calçados brasileiros com base em duas Ordens Executivas, anunciadas em abril e julho do ano passado. “No entanto, estamos aguardando mais informações sobre os desdobramentos operacionais da decisão e na espera da publicação de nova Ordem Executiva após o anúncio de uma tarifa adicional global de 10% com base na Seção 122 da Lei do Comércio”, avalia o dirigente, ressaltando que é preciso analisar atentamente como será o período de ajuste das medidas e da operação nos Estados Unidos, bem como os efeitos sobre o mercado que permanece sob elevado nível de incerteza. 

Principal destino
A política tarifária norte-americana afetou de forma relevante o desempenho do setor calçadista em 2025. Até a entrada em vigor da alíquota adicional, em julho de 2025, as exportações brasileiras de calçados para os Estados Unidos acumulavam crescimento de 15,3%, em pares, comparativamente ao mesmo período do ano anterior. Com a vigência da sobretaxa, esse avanço foi revertido: entre agosto e dezembro de 2025, os embarques destinados ao mercado norte-americano registraram queda de 23,4% em volume, configurando um cenário desafiador para o setor.

Aprofundando a tendência registrada no último ano, no mês de janeiro de 2026 as exportações brasileiras de calçados ao destino sofreram retração de 45,7% e 26,8%, respectivamente, em dólares e pares, comparativamente ao mesmo mês do ano anterior.

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Economia de Caxias do Sul cresce em fevereiro, mas indústria ainda pressiona resultado no ano

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Indicador mensal avança 6,8%, puxado pela indústria; no acumulado do ano, retração é de 2,7%.

A economia de Caxias do Sul registrou crescimento de 6,8% em fevereiro de 2026 na comparação com janeiro, impulsionada principalmente pelo desempenho da indústria, que avançou 10,5% no período. Serviços e comércio também apresentaram resultados positivos, com altas de 3,1% e 1,7%, respectivamente. Os dados integram o relatório mensal de desempenho econômico elaborado pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias) em conjunto com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Caxias), divulgado nesta quarta-feira (8).

Na comparação com fevereiro de 2025, porém, o cenário é de estabilidade, com leve retração de (-0,2%). O resultado reflete, sobretudo, o recuo de (-6,2%) da indústria, que segue como principal fator de pressão sobre a atividade econômica do município. Em sentido oposto, serviços cresceram 7,6% e o comércio avançou 4,8%, amenizando a queda no período.

No acumulado do primeiro bimestre de 2026, a economia apresenta retração de (-2,7%) frente ao mesmo período do ano anterior. O desempenho é impactado pela queda de (-10,1%) da indústria, enquanto serviços (+5,9%) e comércio (+5,5%) mantêm trajetória de crescimento.

Já no acumulado de 12 meses, o indicador geral recua (-1,2%). Apesar do avanço de serviços (+8,1%) e comércio (+5%), o desempenho não foi suficiente para compensar a retração industrial de (-8,4%). O cenário segue influenciado por juros elevados, incertezas econômicas e tensões geopolíticas, fatores que restringem investimentos e a atividade produtiva.

Indústria reage no mês, mas mantém queda no acumulado – O desempenho industrial em fevereiro foi sustentado pelo aumento das horas trabalhadas (+24,1%) e das vendas (+21,7%) na comparação mensal. Ainda assim, o setor acumula queda no ano e nos últimos 12 meses, refletindo a redução nas compras industriais (-30,7% no acumulado do ano) e um ambiente de demanda interna enfraquecida.

Serviços e comércio sustentam atividade – O setor de serviços manteve trajetória positiva, com crescimento de 3,1% no mês e alta de 7,6% frente a fevereiro de 2025. O comércio também apresentou expansão, com avanço de 1,7% no mês e 4,8% na comparação anual, contribuindo para mitigar o impacto negativo da indústria no resultado geral.

Emprego formal mantém saldo positivo – O mercado de trabalho registrou saldo positivo de 2.837 vagas em fevereiro, resultado de 11.194 admissões e 8.357 desligamentos. A indústria liderou a geração de empregos, com 1.064 novos postos. O estoque total de empregos formais no município chegou a 173.748, o melhor resultado desde 2015.

Comércio exterior amplia superávit – No mercado externo, as exportações cresceram 8,5% em fevereiro na comparação com janeiro, enquanto as importações avançaram 0,9%. Com isso, o saldo da balança comercial aumentou 96% no período. No acumulado de 12 meses, as exportações sobem 16%, enquanto as importações recuam (-10%).

Ao comentar o desempenho da economia local, o vice-presidente de Comércio da CIC Caxias, Marcos Rossi Victorazzi, afirmou que o cenário ainda exige cautela, destacando que a inflação elevada segue restringindo o consumo e a circulação de recursos. Segundo ele, a discussão no Congresso sobre o possível fim da escala 6×1 adiciona um fator de incerteza, com potencial impacto sobre custos, inflação e a trajetória da taxa de juros. “Esse movimento ainda não está precificado e pode dificultar a redução da Selic, prolongando um ambiente de crédito restrito”, observou. Victorazzi também alertou para o risco de desaceleração da economia, apesar de sinais pontuais de melhora, e reforçou que a baixa produtividade do País continua sendo um entrave estrutural. “Sem avanços consistentes em produtividade, o crescimento tende a ficar aquém do necessário, ampliando os desafios para a competitividade e o desenvolvimento sustentável”, concluiu.

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Destaque

Campanha Declare Certo oferece orientações gratuitas sobre Imposto de Renda

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Thaís Trevisol, Sescon Serra Gaúcha/Divulgação

Ação do Sescon Serra Gaúcha, em parceria com a Fenacon e Conselho Federal de Contabilidade, será dia 10, no Shopping Villagio.

O Sescon Serra Gaúcha promove, no dia 10 de abril, o Dia D – Declare Certo, com atendimento gratuito à comunidade no Shopping Villagio, em Caxias do Sul. A ação ocorre das 11h às 22h, em frente à Loja Centauro, e vai oferecer orientações gratuitas aos contribuintes sobre a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF). 

A iniciativa integra uma mobilização nacional coordenada pela Fenacon, com apoio do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), reunindo entidades contábeis em diversas cidades brasileiras para ampliar o acesso à informação qualificada sobre o imposto de renda. Em Caxias do Sul, a ação é promovida pelo Sescon Serra Gaúcha com apoio do Sindicontábil Serra, CRCRS (Conselho Regional de Contabilidade do RS) e GTG (Grupo de Trabalho por Caxias).

Durante o Dia D, os contribuintes poderão esclarecer dúvidas sobre documentação necessária, conhecer as regras atualizadas da declaração e receber orientações para evitar inconsistências que possam levar à malha fina. Além disso, terão acesso a informações sobre como fazer a destinação de parte do imposto devido a projetos sociais do Conselho Municipal do Idoso ou Conselho Municipal da Criança. A proposta é oferecer suporte prático em um momento estratégico do calendário fiscal, contribuindo para que mais pessoas realizem a declaração de forma correta e segura. Porém os representantes do Sescon reforçam que não serão feitas declarações neste dia, mas sim orientações para que as pessoas possam declarar com mais tranquilidade.  

“A declaração do imposto de renda ainda gera muitas dúvidas, e é justamente nesse ponto que queremos atuar. Ao oferecer orientação gratuita, aproximamos o contribuinte da informação correta e contribuímos para uma relação mais transparente e segura com a Receita”, afirma a presidente do Sescon Serra Gaúcha, Andrea Daneluz Reolon. 

Neste ano, o prazo de entrega da declaração do IRPF vai encerrar em 29 de maio, conforme cronograma divulgado pela Receita Federal.

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Governo Lula amplia crédito para agricultura familiar e R$ 150 milhões para inovação

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Pacote de medidas também inclui regularização fundiária, proteção climática e ampliação do acesso à terra. Desde 2023, mais de 230 mil famílias tiveram acesso à reforma agrária.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nesta terça-feira (24), um conjunto de medidas para fortalecer a agricultura familiar durante a abertura da 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (3º CNDRSS), em Brasília. O pacote reúne ações de crédito, regularização fundiária, inovação tecnológica, proteção climática e ampliação do acesso à terra, com foco em garantir renda, dignidade e soberania alimentar para quem produz a comida que chega à mesa dos brasileiros.

Crédito, proteção climática e apoio à produção

Entre os principais eixos está a ampliação do acesso ao crédito e o alívio financeiro para pequenos produtores. O programa Desenrola Rural já renegociou dívidas de 507 mil agricultores familiares, somando R$ 23 bilhões, enquanto o Plano Safra da Agricultura Familiar alcançou R$ 37 bilhões em contratos e já soma 1 milhão de operações neste ciclo. Na prática, isso significa mais fôlego para famílias que enfrentam endividamento, oscilação de preços e dificuldades de investimento na produção.

Outro destaque foi a regulamentação do Programa Garantia Safra, que passa a incorporar uma estratégia de adaptação climática para a agricultura familiar, especialmente no semiárido. A medida busca proteger a renda de agricultores afetados por secas, pragas e eventos extremos, num contexto em que a crise climática já impõe perdas crescentes à produção de alimentos.

O governo também anunciou a criação do Programa Nacional de Regularização Fundiária – Terras do Brasil, voltado à regularização de imóveis rurais em situação de informalidade, priorizando agricultores familiares, assentados da reforma agrária e povos e comunidades tradicionais. A medida inclui ainda uma política de governança da terra e uma plataforma nacional para integrar dados fundiários, com o objetivo de dar mais segurança jurídica e reduzir conflitos no campo.

Na frente da produção sustentável, foram lançadas chamadas públicas de inovação no valor de R$ 150 milhões, em parceria com a Finep. Os recursos serão destinados a quatro frentes estratégicas: bioinsumos, sistemas de produção agroecológica e orgânica, soluções digitais para pequenas propriedades e aquicultura de espécies nativas. A proposta é combinar tecnologia, sustentabilidade e aumento da produtividade na agricultura familiar.

Reforma agrária e quilombolas ganham novo impulso

As medidas anunciadas também reforçam a democratização do acesso à terra. Foram assinados sete decretos voltados à reforma agrária, abrangendo áreas em Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Maranhão. Ao todo, os atos envolvem 15,4 mil hectares e têm potencial para atender 479 famílias. Segundo o governo, parte dessas áreas se refere a imóveis que não cumprem a função social da propriedade ou estão marcados por conflitos agrários.

Desde 2023, mais de 230 mil famílias foram incluídas no Programa Nacional de Reforma Agrária, e o governo também destacou a meta de ampliar a estrutura de apoio aos assentamentos, com assistência técnica, crédito, compras públicas e formação de cooperativas.

A agenda voltada às comunidades quilombolas também teve peso central na cerimônia. Lula entregou 18 títulos de domínio para 10 comunidades remanescentes de quilombo, beneficiando 5,6 mil famílias em uma área de 59,5 mil hectares. Entre os destaques está o território quilombola de Alcântara, no Maranhão, com 45,9 mil hectares e 3,3 mil famílias contempladas, além do território Lagoas, no Piauí, considerado o maior território quilombola titulado do Nordeste, com 2,8 mil hectares e cerca de 1,9 mil famílias.

Também foram assinados nove decretos de desapropriação por interesse social para territórios quilombolas em sete estados, abrangendo 590 famílias e 12 mil hectares. O Incra informou ainda que, entre 2023 e 2025, o atual governo já emitiu 32 títulos de domínio para comunidades quilombolas e assinou 60 decretos de desapropriação, consolidando uma retomada da política de regularização territorial.

“Nossa fome é de dignidade”, diz Vânia Marques

As medidas dialogam diretamente com a realidade de quem vive e trabalha no campo. Além de crédito e terra, o pacote inclui assistência técnica, fortalecimento de cooperativas e incentivo à comercialização. Programas como o Coopera Mais já beneficiaram centenas de organizações, ampliando a capacidade de geração de renda coletiva.

A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Vânia Marques, destacou o impacto dessas políticas na vida concreta da população. Em seu discurso, ela afirmou que sua trajetória pessoal é resultado direto das políticas públicas voltadas ao campo. “A nossa fome não é fome só de comida. É fome de dignidade, de casa, de universidade, de vida digna para quem alimenta a população desse país”, declarou.

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