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Cultura

Livro Lavradores de Enxada apresenta novo olhar sob os movimentos migratórios do RS

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Obra de José Bianchi será lançada no dia 3 de maio, no centro de Cultura Ordovás, em Caxias do Sul

Apaixonado por ouvir pessoas e querendo muito descobrir a própria história, o descendente de imigrantes italianos José Bianchi partiu de Caxias do Sul, em 2019, para uma viagem à Itália em busca de suas origens. Ele só não imaginava que a experiência transformaria por completo sua vida e seria o início de uma pesquisa que durou quatro anos e o fez percorrer muitos caminhos.

Foi durante a visita aos lugares de origem dos bisavós Ernesto Bianchi (Veneza) e Maria Centelleghe (San Gregório Nelle Alpi) que teve início o livro Lavradores de Enxada , que será lançado no dia 3 de maio, às 19h, no Centro de Cultura Henrique Ordovás Filho, em Caxias do Sul. Na obra, que marca a estreia de Bianchi como escritor, ele apresenta um novo panorama sobre a vinda dos imigrantes ao Brasil, mais especificamente ao Rio Grande do Sul. O autor não fala apenas dos italianos, mas também conta histórias de espanhois, portugueses, holandeses, alemães, poloneses, suecos, franceses, suíços e indígenas.

A diversidade de etnias englobadas no livro teve em comum, na época da chegada ao Brasil, a mesma dificuldade no cultivo da terra devido aos terrenos extremamente íngremes e rochosos que lhes foram concedidos. Por isso “Lavradores de Enxada”, homens e mulheres que precisaram literalmente quebrar pedras para conseguir começar uma nova vida no país.

O que concluí com minha pesquisa é que a agricultura não sobreviveu nas comunidades onde os terrenos eram íngremes e não mecanizáveis. Os imigrantes que receberam esses espaços acabaram se mantendo apenas até a primeira geração. Depois, eles deixaram suas comunidades ou passaram a trabalhar na indústria. Isso fez com que muito da cultura desses imigrantes se perdesse.

Com uma linguagem simples e acessível, Bianchi, apresenta lugares, relata depoimentos e entrevistas com quase uma centena de personagens que, muitas vezes emocionados, falam sobre seus pais, avós e bisavós vindos da Europa. Relata ainda a realidade dos indígenas no início da colonização e alguns conflitos ocorridos. “Eu não procurei apenas contar o que já está nos livros, mas sim dar voz a quem ainda não havia sido ouvido. Contar o que as pessoas tinham a dizer sobre tudo o que ocorreu. Também registrei fatos descritos em jornais e depoimentos que ainda não estavam em livros” – conta Bianchi.

A obra é fruto de uma intensa pesquisa e uma escuta dedicada. O autor recorreu a diferentes estudos acadêmicos para embasar sua narrativa, mas o protagonismo de sua obra está na riqueza dos depoimentos e em seu olhar sem filtros ou preconceitos. “Algumas pessoas se emocionaram muito com a oportunidade de falar e eu também me emocionei ao ouvi-las. Fomos a lugares distantes, estradas de chão… era raro alguém negar um depoimento. Eles literalmente abriram suas casas e contaram suas histórias e é isso que relato no meu livro” – afirma o autor.

A coleta dos depoimentos começou na Itália, onde em muitos casos, Bianchi utilizou-se dos conhecimentos do ‘talian’ para ser compreendido. Além dos italianos, a pesquisa envolveu personagens residentes nos municípios de Veranópolis, Roca Salles, Coronel Pilar, Garibaldi, Bento Gonçalves, Monte Belo, Pinto Bandeira, Farroupilha, São Marcos, Caxias do Sul, Nova Petrópolis, São José do Hortêncio, Feliz, Vale Real, Alto Feliz, Morro Reuter, Santa Maria do Herval, Sapiranga, Montenegro, São Vendelino, Tupandi, Picada Café, Carlos Barbosa, Barão, Nova Pádua, Nova Roma do Sul, Vila Flores, Santo Antônio do Palma, Flores da Cunha e Antônio Prado.

O livro Lavradores de Enxada não se prende a uma ordem cronológica e, por vezes, aproveita fatos para fazer um contraponto com realidades atuais. É assim quando Bianchi apresenta um pouco da arquitetura deixada pelos imigrantes e faz um paralelo com escolas rurais abandonadas, nas mesmas localidades. Ao discorrer sobre diferentes etnias e suas culturas ele aborda curiosidades atuais como, por exemplo, a paixão das comunidades do interior pelo esporte amador, as festas de colônia, incluindo os “kerbs”, as bandas típicas e até a chegada da música eletrônica e os tradicionais conjuntos de baile.

E não poderia deixar de lançar seu olhar sobre temas atuais envolvendo a imigração recente. Em um trecho do livro, ele entrevistou um grupo de venezuelanos que veio para o Brasil em busca de trabalho e também abordou a vinda de haitianos e senegaleses.

O livro tem o financiamento da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e Prefeitura de Caxias do Sul, com apoio cultural de RandonCorp, Guinchos Vanin e Paris Administração e Participações.

O lançamento será em grande estilo, com um “mini filó” no Zarabatana Café, com a presença do Grupo Girotondo para alegrar o momento.

Serviço:

O que: Lançamento do livro Lavradores de Enxada, de José Bianchi

Quando: 3 de maio, sexta-feira, a partir das 19h

Onde: Zarabatana Café – Centro de Cultura Henrique Ordovás Filho (Luiz Antunes, 312 – Panazzolo, Caxias do Sul – RS)

Quanto: entrada franca. O livro estará à venda por R$ 60 (preço promocional de lançamento, exclusivo para o dia)

Sobre o autor:

José Bianchi nasceu em São Valentim da Segunda Légua, interior de Caxias do Sul, e é neto de imigrantes italianos oriundos das regiões do Vêneto ( família paterna) e de Trento (família materna), passou sua infância entre a capela de São Valentim e o interior do município de Feliz-RS. Graduado em Ciências Econômicas e Ciências Contábeis pela UCS, cursou parcialmente a Faculdade de Estudos Sociais. Lavradores de Enxada é seu primeiro livro.

Ele tem pós-graduação em Administração Hospitalar pelo IAHCS (Instituto de Administração Hospitalar e Ciência da Saúde, através da UCS). Foi presidente do IPAM (Instituto de Previdência e Assistência Municipal de Caxias do Sul), Secretário Municipal de Administração do município de Caxias do Sul e Diretor Administrativo da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul. Aposentou-se no cargo de Oficial Legislativo, pertencente ao quadro de carreira da Câmara Municipal.

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Cultura

O Grande Espetáculo de Natal celebra 10 anos 

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Créditos: Leandro Araújo

Com o tema “A luz que atravessa o tempo”, edição comemorativa fala sobre a memória e os vínculos entre gerações.

A 10ª edição de O Grande Espetáculo de Natal será realizada nos dias 28 e 29 de novembro, sábado e domingo, às 20h, na Praça Dante Alighieri, junto à Casa Magnabosco, em Caxias do Sul (RS). Gratuito e aberto à comunidade, o espetáculo celebra uma década de trajetória com uma nova produção artística que propõe uma reflexão sobre o tempo, a memória e os vínculos construídos entre gerações.

Com o tema “A Luz que Atravessa o Tempo”, a edição de 2026 apresenta uma narrativa que tem como ponto de partida a relação entre um avô e sua neta. Em meio aos preparativos de Natal, um poema escrito pelo avô conduz a jovem por uma jornada de descobertas, na qual diferentes experiências revelam a importância de perceber o mundo com sensibilidade, reconhecer a passagem do tempo, preservar as lembranças, encontrar coragem e compartilhar.

A história ganha forma por meio da integração entre música, dança, circo e poesia, em uma construção cênica que alterna grandes composições visuais e momentos de introspecção. Ao estabelecer conexões entre passado e presente, o espetáculo convida o público a reconhecer aquilo que permanece nas relações humanas e nas memórias que atravessam gerações.

Memória, encontro e esperança

Ao completar dez anos, O Grande Espetáculo de Natal reafirma sua relação com a comunidade de Caxias do Sul e as diferentes gerações que acompanharam sua trajetória. Desde sua criação, o projeto reúne artistas, profissionais da cultura, instituições, empresas e público em uma celebração coletiva que ocupa o espaço urbano e contribui para a construção de memórias afetivas associadas ao Natal.

Para Pedro Horn Sehbe, CEO, idealizador e diretor geral de O Grande Espetáculo de Natal, a celebração dos dez anos representa a consolidação de um projeto que nasceu com o propósito de reunir a comunidade em torno da arte e que, ao longo de sua trajetória, conquistou um lugar de destaque no calendário cultural da Serra Gaúcha. “Chegar à décima edição é a confirmação de que construímos algo que pertence à nossa cidade. O Grande Espetáculo de Natal nasceu de uma visão, cresceu com o envolvimento de muitas pessoas e hoje representa a força de uma comunidade que acredita na cultura e na capacidade da arte de transformar espaços, aproximar gerações e construir legados. São dez anos de trabalho, de investimentos e de compromisso com a entrega de um espetáculo de excelência, gratuito e acessível à população. Nessa edição, queremos celebrar essa conquista olhando também para o futuro, porque a luz que atravessa o tempo é aquela que conseguimos manter viva e transmitir às próximas gerações”, destaca.

Na dramaturgia, essa relação entre passado e presente se manifesta especialmente no encontro entre o avô e a neta. De gerações distintas, os personagens estabelecem um diálogo que aproxima experiências, percepções e maneiras de compreender o mundo. A figura do avô poeta conduz a narrativa a partir de um olhar sensível sobre os acontecimentos cotidianos, revelando como gestos, lembranças e experiências aparentemente simples podem adquirir novos significados ao longo da vida.

A poesia assume papel central nessa construção, estabelecendo conexões entre as diferentes cenas e conduzindo o público por uma história que encontra significado nas relações familiares e nas lembranças que permanecem ao longo do tempo. A proposta dialoga com a sensibilidade presente na obra de Mário Quintana, especialmente em sua atenção aos pequenos acontecimentos e à capacidade de reconhecer a beleza nas experiências cotidianas.

A narrativa também preserva elementos da tradição cristã do Natal, reconhecendo sua presença na formação das memórias e das celebrações familiares. Essa dimensão se integra à proposta artística de um espetáculo comunitário, que valoriza o encontro entre gerações, a convivência e o compartilhamento de experiências. Ao abordar sentimentos como amor, fé, esperança e solidariedade, a produção propõe uma reflexão sobre valores que permanecem significativos mesmo diante das transformações da sociedade.

Com direção executiva de Cali Troian, a décima edição também marca o fortalecimento institucional de O Grande Espetáculo de Natal, que vem ampliando sua dimensão artística, sua capacidade de mobilização e sua presença entre os atrativos natalinos da Serra Gaúcha. A articulação entre iniciativa privada, poder público e profissionais da cultura contribui para a continuidade do projeto e para o posicionamento de Caxias do Sul no calendário cultural e turístico do Rio Grande do Sul. 

Novidades cênicas

Para marcar a décima edição, O Grande Espetáculo de Natal apresenta uma concepção artística que amplia as possibilidades de integração entre dramaturgia, música, dança, circo e recursos visuais. Figurinos, iluminação, efeitos especiais e elementos cenográficos participam da construção narrativa, contribuindo para representar as experiências e transformações vividas pelas personagens.

Com duração aproximada de uma hora, a apresentação será organizada em quadros cênicos que alternam momentos de impacto visual com passagens intimistas e contemplativas. A montagem contará com a participação do Coro Unimed, dos artistas do Grupo Tholl e da Cia. Matheus Brusa, reunindo diferentes linguagens artísticas em uma experiência concebida para o espaço urbano.

A trilha sonora, assinada pelo diretor musical Ivan Montanha, reúne canções natalinas que atravessam gerações e permanecem presentes na memória afetiva do público. Interpretado por mais de 60 vozes adultas e juvenis, o repertório acompanha o desenvolvimento da narrativa, estabelecendo conexões entre as diferentes cenas e contribuindo para a atmosfera de emoção e celebração que caracteriza O Grande Espetáculo de Natal.

Com roteiro assinado por Marcelo Andrighetti, em parceria com os diretores do espetáculo, a narrativa percorre diferentes universos cênicos, enquanto as coreografias de Matheus Brusa traduzem em movimento os sentimentos, as lembranças e as transformações vividas pelas personagens. A integração entre a dança, o circo do Grupo Tholl e a música do Coro Unimed dá forma a uma encenação que explora o contraste entre movimento e pausa, passado e presente, realidade e imaginação.

A abertura terá como referência o ambiente familiar dos preparativos de Natal, dando início à relação entre os personagens e ao percurso que conduz a jovem por diferentes experiências. Ao longo da apresentação, a combinação entre música, dança, acrobacias e elementos simbólicos permitirá ao público acompanhar uma história sobre o tempo, a memória e a descoberta de novos sentidos para a celebração natalina.

Ao reunir diferentes expressões artísticas em uma produção concebida para o espaço público, O Grande Espetáculo de Natal comprova sua proposta de aproximar a comunidade da experiência cultural. A celebração dos dez anos reconhece tanto a trajetória do projeto quanto o papel da arte na formação de público, no fortalecimento dos vínculos comunitários e na construção de referências culturais compartilhadas.

As duas apresentações são gratuitas e contarão com áreas destinadas à acessibilidade, demonstrando o compromisso do projeto com o acesso à cultura e a participação da comunidade.

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Cultura

Feira do Livro encerrou neste domingo com público de 140 mil pessoas

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Com mais de 350 ações realizadas entre os dias 02 e 18 de outubro, a 42ª Feira do Livro de Caxias do Sul contabilizou um público de 140 mil pessoas, registrando a venda de 33.725 livros no período. A solenidade de encerramento foi neste domingo, depois do show da dupla Tita e Rafa. Com o toque da sineta feito pela patrona, Adriana Antunes, houve também a tradicional entrega de rosas aos livreiros das 24 bancas que atuaram nesta edição.

O fim de semana contou também com o concorrido bate-papo com os novos aurores, realizado sábado à tarde, na Galeria Gerd Bornheim, reunindo os escritores caxienses Gustavo Tamagno Martins, Jorge Possamai, Josiane Scapin, Lilian Lima e Simone Müller Cardoso. No mesmo espaço, na sequência, foi realizado o “Vivências dissoantes – Poetas LGBT+” reunindo Jaque Pivotto, Roberta Saldanha, Felipe Zobaran e Ceci Favero. A Patrona Adriana Antunes seguiu no pique coordenando mais um “Venha Ler Com a Patrona”, esta vez numa roda de leitura batizada de “Conversas Clariceanas: lendo contos de Clarice Lispector”.

Ainda no sábado à tarde, no Palco Principal, durante conversa mediada pela jornalista Tríssia Ordovás Sartori, o escritor e especialista em felicidade, Gustavo Arns, falou de como pensamos nela como algo que já passou:

“Às vezes depositamos a felicidade no passado, com expressões como ‘eu era feliz e não sabia’. Há uma dificuldade de conseguir exercitar a musculatura da presença”, disse Arns, destacando que é preciso treinar o exercício da presença em nosso cotidiano.

Ele também lembrou que foi em Caxias do Sul que conheceu a Monja Coen, de quem ficou amigo e, juntos, lançaram livros e criaram o Centro de Estudos de Felicidade.

“Ela estava jantando uma costela suína. Pensei que fosse vegetariana. Aí ela me olhou perguntado ‘qual o problema de uma monja comer uma costela’, recordou-se Arns.

Com a Praça Dante Alighieri lotada na tarde de sábado, os jornalistas e podcasters Ivan Mizanzuk e Chico Felitti deram um show de simpatia e inteligência, sendo ovacionados pelo público que, também, enfrentou longa fila de espera para obter um autógrafo e uma selfie.

Na conversa, Felitti citou Dráuzio Varela e Eliane Brum como referências para a sua determinação para se profissionalizar contando histórias em áudio:

“Descobri que contar histórias era uma profissão. O que me atrai é o que está fora do centro. Amo bater na porta, amo o constrangimento e o confronto. Me alimento disso”, disse Felitti, antecipando um dos seus próximos podcast: “Fui acusado de um crime aos 13 anos, uma fofoca dizendo que tínhamos espancado um amigo que morreu. Nunca lidei com isso, tinha esquecido. Mas estou rodando o mundo para encontrar estes amigos e investigar essa morte.”

Pioneiro no mundo dos podcasts, referência afirmada de Felitti durante a conversa, Ivan Mizanzuk disse que, no dia a dia, gosta de quebrar a cabeça para encontrar as histórias, mas não muito de escrever os roteiros.

“Já é um esforço grande falar com pessoas estranhas, então prefiro terceirizar o roteiro”, explicou, também falando de seu próximo trabalho, abordando o caso da morte de PC Farias, que foi assessor do ex-presidente Fernando Collor: “Minha intenção é solucionar o caso PC Farias”.

A tarde de domingo reuniu o público para assistir ao show de mágicas do mágico Mateus Di Macedo, além do show de encerramento da dupla Tita e Rafa que, acompanhados de banca, repassaram hits do rock brasileiro dos anos 1980, botando o público para cantar e dançar.

A solenidade de encerramento teve fala da presidente da Associação dos Livreiros Caxienses – Alca – , Maria Helena Lacava. Ela festejou mais uma edição da Feira na Praça Dante e conclamou:

“Vamos ter empatia, amor e consciência. Tudo isso faz a diferença na vida. Saber que a leitura ajuda na compreensão do texto e do contexto nacional que estamos vivendo é fundamental”, disse.

A Amiga do Livro, Alexandra Faccio, Teca, falou com emoção deste grande momento de sua vida:

“Que jornada foi para mim esta para mim! Uma linda festa literária. Este foi o meu momento em que pude trilhar entre palavras. Não consigo mais ordenar minhas lágrimas”, disse Teca, entre… lágrimas.

A Secretária da Cultura, Tatiane Frizzo, destacou o empenho de todos os envolvidos na realização da Feira, dizendo que foram dias felizes, saudando a próxima Feira, para 2027:

“A 43ª Feira vai ser muito especial”, afirmou.        

Em seu discurso de encerramento, a Patrona Adriana Antunes falou de caminhadas – físicas e metafóricas:

“Caminhei muito por esta praça nestes 18 dias de feira, foram 32 quilômetros, registrados no aplicativo. Mas, somos todos feitos de fins. E, em algum momento ele chega. E se eles existem é porque houve um começo. E no começo eu era bem pequena. Do jardim da minha casa, meu pai apontava para o centro e dizia: um dia você vai chegar lá. Não sei se cheguei aonde ele imaginava, mas hoje, neste momento estou aqui e para a garota de onde eu vim, já é bem longe”, disse Adriana, convocando o público dar as mãos e, se quisessem, se abraçar:

“Que nossas mãos troquem a ameaça, a agressão, a arma, por ternura. Carecemos de amor, de respeito, de mãos que saibam acolher. Encerro esta feira com o sentimento de que, por alguns dias, fomos mais leitores, mais apaixonados por livros, pela cultura, pela arte, mais ternos e potencialmente mais humanos. Compreendendo que tudo passa. E, eles também passarão. Não tenho nenhuma pretensão ao chegar ao fim. Desejo apenas que sejamos pessoas que saibam mais amar do que odiar” falou a Patrona.

Para o Coordenador Geral, Cássio Felipe Immig, a 42ª edição da Feira do Livro de Caxias cumpriu sua tarefa de dinamizar a cena cultural da cidade com ações pontuais e significativas na área do Livro, Literatura e Leitura:

“Minha avaliação da Feira do Livro de 2026 é, em linhas gerais, positiva. Apesar do clima ter sido predominantemente frio e úmido, com alguma chuva em quase todos os dias, o público compareceu. Tivemos vários momentos de praça lotada, mesmo fora do fim de semana. Também acredito que o cuidado maior com o público PCD e o Espaço da Acessibilidade foram um acerto e um passo a mais em direção ao nosso principal objetivo que a democratização do acesso à leitura e ao livro. Os retornos recebidos do público em geral e dos escritores foi elogioso, destacando a qualidade e variedade da programação e a beleza da praça durante o evento. Com tudo isso, entendo que conseguimos entregar mais uma grande Feira do Livro para a comunidade de Caxias do Sul.”

Na relação dos dez livros mais vendidos, contabilizados até sábado, destacam-se livros de autores locais nas primeiras posições, sendo “Uma visão poética da Universidade de Caxias do Sul”, de Claudia Velho, editora EDUCS, o destaque entre os adultos e “Saudade cabe na mochila?, de Josiane Borges Soares e Kátia Cardoso Nostran, com ilustrações de Amanda Victória, editora EDUCS, o segundo mais vendido entre os infanto-juvenis (lista completa abaixo).

A realização da 42ª Feira do Livro de Caxias do Sul é da Secretaria Municipal de Cultura de Caxias do Sul e da Associação dos Livreiros Caxienses – ALCA, com patrocínio de Supermercados Andreazza, Sorvetes Urca, Sulgás, Randoncorp e Racon Consórcios. O Patrocínio Institucional é da e Unimed Serra Gaúcha. O Apoio Cultural é do Instituto Elisabetha Randon, Câmara de Vereadores, Infront, Gráfica Cromo e Unifique A rádio oficial é a UCS FM e conta com a parceria de Desalinha Design UCS e SESC Caxias do Sul. Financiamento Pró-Cultura – Governo do Estado.

42ª Feira do Livro – Livros mais vendidos até sábado (17)

Adultos
1 – Uma visão poética da Universidade de Caxias do Sul, Claudia Velho, editora EDUCS
2 – A estranha na cama, Raphael Montes, editora Companhia das Letras
3 – Resgatando mulheres, reconstruindo vidas, organizadores Isabela Bressan Prux e Maria Marlene da Silva Faria, editora Desdobra
4 – Educs: meio século de histórias, organizadora Simone Côrte Real Barbieri, editora EDUCS
5 – Quando, Carla Madeira, editora Record
6 – Verity, Colleen Hoover, editora Galera Record
7 – Vida de médico, Francisco Michielin, editora Lettere & Parole
8 – Ela, Lisana Bertussi, editora São Miguel
9 – Rádio Caxias: há 80 anos a voz da cidade, Marcos Kirst, editora São Miguel
10 – O massacre da família Hope, Riley Sager, editora Intrínseca

Infanto-juvenis
1 – Eu duvido vocês terminar este livro, Giuliana Mafra, editora Outro Planeta
2 – Saudade cabe na mochila?, Josiane Borges Soares e Kátia Cardoso Nostran, ilustrações de Amanda Victória, editora EDUCS
3 – Olhinhos curiosos (série), vários autores
4 – Diário de uma princesa desastrada, de Maidy Lacerda, editora Outro Planeta
5 – Pense rápido (série), de Paloma Blanca Alves Barbieri, editora Ciranda Cultural
6 – O Homem-cão (série), Dev Pilkey, editora Companhia das Letrinhas
7 – Minecraft (série), vários autores, editora Ciranda Cultural
8 – O pequeno príncipe, Antoine de Saint Exupéry, várias editoras
9 – Diário de um Banana (série), Jeff Kinney, editora VR
10 – O cara que estou a fim não é um cara?!, Sumiko Arai, editora New Pop

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Cultura

Sonora Brasil traz Suraras do Tapajós ao palco do Sesc Caxias do Sul 

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Grupo paraense formado por mulheres indígenas apresenta repertório autoral e tradicional no dia 12/10 .

O Teatro do Sesc Caxias do Sul recebe, no dia 12 de outubro, às 20h, o show Suraras do Tapajós, atração do projeto Sonora Brasil. Formado por mulheres indígenas, o grupo paraense apresenta canções autorais e repertórios da música do Pará, combinando carimbó, dança e elementos visuais ligados à cultura de seus territórios. Os ingressos estão disponíveis no SAC da unidade e pelo site www.sesc-rs.com.br/espetaculosculturais, a partir de R$15. 

Considerado o primeiro grupo de carimbó formado por mulheres indígenas no Brasil, o coletivo utiliza a música para valorizar a natureza, a força feminina e a ancestralidade de seu povo. A presença das artistas também amplia a participação das mulheres indígenas em um gênero tradicionalmente marcado pela presença masculina. 

Com uma trajetória que inclui apresentações em importantes festivais nacionais, como Rock in Rio 2024, Coala Festival e Rec-Beat, as Suraras do Tapajós levam ao palco uma experiência que reúne música, dança e elementos visuais tradicionais. O trabalho do grupo reforça a presença da cultura indígena contemporânea e mantém vivas expressões relacionadas à identidade, resistência e celebração do território. 

Os ingressos custam R$15 para trabalhadores do comércio e serviços, R$18 para empresários, R$20 para meia-entrada e R$40 para o público geral. Também há a opção de ingresso solidário por R$30, mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível, que deverá ser entregue no evento. 

Sobre o Sonora Brasil – O Sonora Brasil cumpre a missão de difundir o trabalho de artistas que se dedicam à construção de uma obra não comercial. A formação de plateia é o que se busca por meio do contato do público com a qualidade e a diversidade da música, estimulando o olhar crítico sobre a produção e os mecanismos de difusão da música no País.  Promovido pelo Sesc nacionalmente, já alcançou 750 mil pessoas, com 6.098 concertos, de 85 grupos, em mais de 150 cidades brasileiras. Ao todo, 431 músicos já se apresentaram no circuito que, a cada biênio, aborda duas temáticas diferentes e promove a circulação dos artistas por todas as regiões brasileiras. 

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