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DO LUTO À LUTA

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Um ano após o colapso: como estão as famílias arrasadas no pior momento da pandemia no Brasil

Os meses de março, abril e maio de 2022 marcam o primeiro ano de um luto coletivo sem precedentes na história do Brasil. Ao fim desse mesmo período em 2021, o país havia perdido mais de 200 mil pessoas para a covid-19. 

Se o ano passado foi o mais mortal já registrado pelos cartórios brasileiros, março, abril e maio foram os meses que mais pesaram nessa estatística. O número de mortes por covid-19 no trimestre representa mais de 30% de todos os óbitos causados pelo coronavírus até hoje em solo nacional. 

Um ano depois, famílias, amigos, amigas, parentes, colegas, conhecidos e conhecidas ainda vivem as consequência do pesar. Lidam com a ausência de pessoas queridas, que perderam a vida na maior pandemia do século e também enfrentam entraves burocráticos, econômicos e até judiciais no processo.

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“São milhares e milhares de brasileiros que estão sofrendo, hoje, além dos atravessamentos e consequências da pandemia da covid-19, essa dor profunda, que é perder alguém que ama”, afirma a assistente social e pesquisadora Paola Falceta, presidenta da Associação de Vítimas e Familiares de Vítimas da Covid-19 (Avico).

Ela fundou a Avico junto com o advogado Gustavo Bernardes em abril do ano passado. Bernardes havia sido internado com quadro grave de covid-19 no fim de 2020. Já Falceta está nas estatísticas de enlutados e enlutadas no trimestre sombrio: perdeu a mãe em março de 2021 por causa do coronavírus.

“Essa faixa de tempo é real. Março, abril e maio representam o pico do colapso da saúde no Brasil e são três meses muito complicados para nós. O pior de tudo isso é que as pessoas ainda não têm forças, pelo luto, pela falta de apoio em saúde mental, pelas dificuldades financeiras. As pessoas estão tirando força da revolta”, aponta.

“A revolta dentro de mim cresce”

O aposentado Elpidio de Souza, de 62 anos, é cardiopata e, no início da pandemia, decidiu com a família por levar o isolamento de maneira rígida. Ele morava com a esposa e o filho, também portadores de comorbidades, além de dois netos, que hoje têm de 12 e 14 anos.

Assim como para a maior parte das famílias brasileiras, frente à falta de apoio do poder público e à crise econômica, a quarentena por um longo período foi impossibilitada. Com a lentidão deliberada no processo de aquisição das vacinas, no ano passado, muitas pessoas se viram obrigadas a voltar ao trabalho e ao convívio social sem imunização.

Em maio de 2021, Elpidio de Souza Junior, de 38 anos, filho do aposentado, era uma dessas pessoas. Como precisava manter a si e à família, ele voltou ao trabalho na construção civil e viajou para Capão da Canoa (RS)

“Uma das maiores crises do litoral (do RS) foi em Capão, por causa da flutuação de pessoas. Ficamos amedrontados, porque nós mesmos não podíamos nos expor”, afirma o pai. A flutuação em questão é referente à chegada de turistas à cidade no verão.

Ele conta que, nesse período, o filho começou a ter sintomas e procurou um hospital. No local, foi diagnosticado com gripe. “Nem o teste fizeram. Nós insistimos para que ele fizesse o teste. Três dias depois, ele retornou ao hospital e, claro, o quadro se agravou. Em Capão, o hospital estava lotado. Ele foi transferido para Santo Antônio da Patrulha e, não deu sete dias, ele veio a óbito”

Seu Elpidio responsabiliza a falta da vacina pelo agravamento rápido das condições do filho. 

“Tem uma culpa aí. Eu acredito muito no sistema público. Eu acredito no SUS. Mas acredito na gestão do SUS. Quando tem má gestão, dá nisso. Não precisava ter morrido 650 mil pessoas e eu tenho absolta certeza de que meu filho não seria um desses mortos se ele tivesse tido a vacina.”

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Com a morte do filho, ele e a esposa ficaram com a guarda dos netos. De uma hora pra outra, passaram a ser responsáveis pelo suporte emocional e pela formação dos dois adolescentes.

Em meio ao luto, a família enfrenta também os desafios econômicos gerados pelo cenário de crise, preços altos e aumento do custo de vida. Os dois netos não conseguiram acesso a nenhum tipo de pensão. O aposentado cita o descaso da gestão do presidente Jair Bolsonaro (PL).

“O cenário foi agravado pela má gestão. Há um descaso. Essa é a minha dor maior. Esse cidadão está cometendo um crime à pátria. Um crime contra pessoas, seres humanos. Tem locais em que a gente sabe quem está morrendo, é a periferia, é o povo preto, o povo pobre”, lamenta.

Para seguir a vida, o aposentado e a família se firmam na fé, mas também na luta, “Eu sou de axé e se não fossem os nossos Orixás, nós teríamos enlouquecido. Nós nos agarramos na fé e eu, como defensor do SUS, já dizia antes e hoje digo mais ainda, é do luto à luta. Não me resta outra alternativa. A pandemia não vai parar e parece que naturalizaram isso. Mas as mudanças são possíveis e eu já vi isso acontecer”.

“Eu não posso viver o tempo todo na tristeza”

A dona de casa Lindinalva Jesus dos Santos, de 47 anos, perdeu a mãe para a covid-19 ainda na primeira onda da covid, em agosto de 2020. Aos 65 anos, Maria Julia Jesus dos Santos tinha diabetes e precisou ser internada por complicações da doença. No hospital, após a amputação de uma das pernas, ela foi infectada pelo coronavírus e morreu.

Ainda em meio ao luto, em maio do ano passado o marido de Lindinalva, Daniel dos Santos, também foi infectado pelo coronavírus. Os sintomas apareceram no início do mês e se agravaram em menos de duas semanas.

“Um amigo dele ligou um dia bem cedo e sentiu que a voz dele estava bem fraca. Durante a madrugada, eu ouvi ele roncar, e ele não roncava normalmente. No dia seguinte, ele tossiu sangue. Nós fomos para o hospital e foi o último dia que eu vi o meu marido com vida”, recorda.

Daniel dos Santos faleceu cinco dias depois da internação, aos 59 anos. Lindinalva perdeu o companheiro de vida, passou por dificuldades financeiras e, um ano depois, ainda busca recuperar a saúde emocional.

“Não está sendo fácil, fiquei dez meses passando por necessidades. Só não passei por mais dificuldades por que tive bons amigos, que me acolheram. Eu estou em tratamento com uma psicóloga, ainda tenho ansiedade. Ainda hoje me peguei pensando: ‘meu marido, como você faz falta’”, afirma emocionada.

Lindinalva conta que mesmo frente à tragédia dupla, ainda tem parentes negacionistas e teme que a covid-19 possa voltar a crescer em ritmo acelerado no Brasil pela falta de conscientização da população e pela inação do poder público.

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“O governo federal piorou tudo. Meu marido poderia estar vivo hoje. Meu marido não está vivo por causa dele, porque ele negou as vacinas. Minha mãe poderia estar viva, mas naquela época os médicos estavam todos sobrecarregados”, aponta.

Menos de um mês após a morte de Daniel dos Santos, a vacina chegou para a faixa etária dele. 

“Eu espero que o povo lembre disso e eu peço a Deus que esse vírus cesse. Eu não tive como me despedir, eu não tive o direito de me despedir dos meus entes queridos. Eu espero que as pessoas tenham consciência. A covid está aí e continua matando”, conclui. 

“Tem dias que é difícil levantar”

A tragédia da covid-19 também afetou duplamente a vida do consultor de Marketing Levi Oliveira Mortosa, de 30 anos, morador de Goiânia (GO). Em agosto de 2020, perto do dia dos pais, o pai dele, morador de Itumbiara, interior de Goiás, foi infectado pelo coronavírus. Edson Mortosa, de 58 anos, não pode cumprir o isolamento recomendado para se proteger do vírus porque teve que trabalhar.

No terceiro dia de internação, ele foi enviado para a UTI. O quadro continuou se agravando e o paciente precisou ser intubado, mas morreu durante o processo. 

“Em Itumbiara, agosto foi um mês em que os hospitais estavam no máximo do máximo da lotação. As equipes de saúde também foram vítimas da não instrução, do negacionismo e da falta de recursos”, afirma Levi.

A família ainda se recuperava do baque quando, em junho de 2021, a tia mais nova de Levi, Edriane Mortosa, também faleceu por covid-19.

“O caso do meu pai não me revolta tanto. O que nós íamos fazer? Mas a minha tia estava a uma semana da vacinação”. O jovem não contem as lagrimas ao falar da tragédia que abalou a família duas vezes em menos de um ano, “pensar que ela poderia estar vacinada. Já era junho de 2021! Ela tinha apenas 50 anos!” 

Edriene Mortosa foi internada em 31 de maio de 2021. Ela morava com uma irmã mais velha, que já tinha tomado a primeira dose da vacina e teve apenas sintomas leves. Edriene, no entanto, teve uma queda brusca de oxigenação durante a infecção.

Com o alerta identificado por um oxímetro usado em casa, a família decidiu levá-la para o hospital. Em apenas dois dias de internação, ela foi para a UTI.

A situação vivida pelo pai de Levi meses antes, durante o processo de intubação, foi traumática para toda a família. “Nos momentos em que ela fazia ligações para a família, ela chorava muito pedindo para que a tirassem dali, porque ela não queria ser intubada. Foi um sofrimento muito grande, a gente não podia fazer nada. É uma impotência.”

Ainda enlutado, Levi leva em consideração o privilégio que a família teve de conseguir acesso ao tratamento e a hospitalização, “Eu sei que houve famílias que sofreram muito mais. É difícil pensar que estamos vivendo em meio a tanta injustiça, tantas famílias que foram dilaceradas”, diz.

Na dor da perda, a falta de direito a um velório e a rituais de despedida ainda é um peso. “O que eu mais sinto é não poder velá-los, não estar ali com eles. É uma dor não compartilhada. É muito triste você não poder abraçar, não poder receber conforto”.

“Tudo era eu pela minha mãe e minha mãe por mim”

Mesmo com a falta de conforto até hoje, a jornalista e estudante Marise Catharine de Souza Oliveira encontra forças na memória da mãe para seguir a vida e viver o processo de luto.

Mônica Isabel de Souza Oliveira faleceu em abril do ano passado, aos 55 anos. Ela era diretora de uma escola em São Paulo (SP) e não deixou de trabalhar ao longo da pandemia. Mesmo com as aulas acontecendo remotamente, pelo cargo que ocupava, precisou continuar presencialmente. 

Em março do ano passado, instituições de ensino da cidade começaram a abrir as portas para grupos limitados de estudantes. Nesse período, Marise e a mãe foram infectadas.

Relembre: Famílias criam movimento para pressionar Doria contra aulas presenciais na pandemia

“Nós sempre estávamos juntas, eu só tinha a minha mãe. Minha vida sempre foi eu e minha mãe para tudo. Sou umbandista, me apeguei muito à minha religião. Eu pedi muita força para conseguir passar por aquele momento”, conta.

Com o diagnóstico em mãos, as duas resolveram se isolar em casas separadas. Marise lembra que a mãe disse que o período de separação seriam os piores dias da vida dela. “Eu mal imaginava que seria o começo dos piores dias da minha vida”, relata a filha emocionada.

Mônica piorou e teve que ser internada. Dias depois e sem notícias pelo celular, a família descobriu que ela estava na UTI. “Foi a última vez que eu vi a minha mãe bem. Depois, ela recebeu a visita da secretária dela e pediu para ela cuidar de mim, porque não ia aguentar. No dia seguinte, minha mãe já estava intubada”.

O impacto de se ver sozinha de um dia para o outro ainda não foi amenizado. Marise encontra resistência na memória. Quer dar o nome de Mônica a uma praça no bairro paulistano da Penha, onde a família morava, e dar continuidade ao legado dela na educação

“Minha mãe não está aqui em vida. Mas ela está olhando por mim de outra forma. Isso me motivava e me motiva até hoje para continuar. Se não fosse a força que ela me passa, eu não sei se estaria aqui para contar essa história”.

Mônica faleceu em 7 de abril. No dia 12 seguinte, ela estaria apta a receber a primeira dose da vacina contra o coronavírus. Marise responsabiliza o governo pelo acesso demorado ao imunizante.

“Eu digo que não é só o estado nação representado pelo Bolsonaro, Paulo Guedes e os ministros da saúde que passaram aí que são os culpados. Também tem a responsabilização do João Dória (então governador de São Paulo pelo PSDB). Ele podia ter começado a vacinação antes na saúde, na segurança pública e na educação, setores que continuaram trabalhando sem parar. O estado de São Paulo também é responsável”, afirma.

“Estamos pecando em deixar que essa história seja enterrada”

A psicóloga Tâmara do Amaral Neves, de 29 anos, nasceu em São Paulo, mas passou toda a pandemia em Manaus, onde vive. Na capital do Amazonas, ela observou as consequências do descaso do poder público e da falta de medidas de proteção para a população.

No meio de 2020, o avô do marido de Tâmara foi vítima da doença, e diversas pessoas da família foram infectadas. “Nós tivemos todo o atravessamento da pandemia em Manaus. Uma situação grave em que eu sinto que as pessoas foram expostas quase que para testar a imunidade coletiva. Muita gente contraiu a doença e lá foi devastador”, lamenta.

Ela relata que, em alguns momentos, chegou a ver carros funerários passarem na rua com sirenes ligadas, uma das únicas formas de homenagem a mortos que não puderam ser velados.

Por conta desse cenário, a quarentena de Tâmara foi rígida. Por dois anos, ela viu os pais, que continuaram em São Paulo, em apenas duas ocasiões, uma delas na Páscoa de 2021. 

No mesmo período, o pai da psicóloga decidiu voltar ao  trabalho de feirante. Com um ano de quarentena, as economias não foram mais suficientes para manter a família. Os dois chegaram a receber o Auxílio Emergencial, que também não deu conta das despesas.

Enquanto Tâmara visitava os pais, os três foram infectados e tiveram que ser internados. A mãe, Mariana do Amaral, teve um quadro grave da doença e precisou ser intubada. No 14º dia de internação, um dia depois do próprio aniversário de 57 anos, ela faleceu.

“Minha mãe contraiu covid apenas 21 dias antes de poder ser vacinada. Se um e-mail tivesse sido respondido antes, ela teria sido vacinada e teria muito mais chances de estar aqui comigo hoje do que de não estar”.

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Tâmara ainda estava hospitalizada quando a mãe morreu, e teve alta um dia depois. A partir de então, a vida da família mudou radicalmente. “Eu sou filha única, sou casada, meu marido trabalha em Manaus e, portanto, eu moro lá. Meu pai ficou sozinho para trabalhar e ele tem muita dificuldade com a vida que ficou para ele”.

Um ano após a morte da mãe, Tâmara e o pai ainda lidam com exames e procedimentos para investigar o impacto que a infecção causou nos dois. “Meus pais gastaram boa parte da economia de uma vida inteira para se manter em casa. Aquilo que era para segurança da velhice deles, foi gasto para ficar em casa. Meu pai tomou coragem de trabalhar porque tinha gasto todas as economias. Não tinha mais condição de ficar em casa e topou encarar”, relata.

A psicóloga coloca o colapso sanitário na conta do poder público, “não houve uma gestão inteligente. O que teve foi dizer para a população que ia ter imunidade coletiva e era para estar na rua para todo mundo pegar mesmo. Que era só uma gripezinha”.

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Hoje, a percepção de Tâmara é de que o Brasil nem mesmo sabe quantas mortes realmente a covid-19 realmente causou, e vai ter que conviver com os erros cometidos ao longo da pandemia. Ela percebe um movimento coletivo que evita falar sobre o que aconteceu.

“É fundamental que a gente retome a memória dessas perdas, dessas pessoas individualmente e desse momento coletivo, político e social. Era para termos monumentos com os nomes das pessoas que perdemos, era para termos memoriais. Era para ter um museu sobre isso”, sugere.

A psicóloga percebe na pandemia a repetição de massacres não nomeados, que se repetem na história brasileira. “A gente se adapta. Meu pai se adaptou, aprendeu a fazer um monte de coisas, cresceu em muitas direções e está se fazendo uma pessoa melhor a cada dia. Mas sinto que temos muito trabalho pela frente, para nós, na nossa vida e para toda a sociedade”.

A luta pela reparação

Em abril deste ano, a Avico pediu ingresso na Ação Civil Pública em que o Ministério Público Federal responsabiliza a União pela má gestão ao longo da pandemia. Entre as requisições no processo está o pagamento de indenização aos familiares das vítimas e às vítimas sobreviventes da chamada “covid longa”.

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A associação também ajuizou uma queixa-crime contra o presidente Jair Bolsonaro, com base no que classifica “inércia formal e material” do Procurador-Geral da República, Augusto Aras. Em junho do ano passado, a Avico protocolou uma outra representação criminal que nunca foi respondida por Aras.

“Não iremos fazer de conta que as mortes pela covid-19 foram um acaso. Quando na verdade, sabemos que houve uma desvalorização intencional dessas vidas. E usaremos todas as medidas cabíveis para responsabilizar o Estado brasileiro e Jair Bolsonaro pelas mortes da pandemia de covid-19”, enfatiza a presidenta da Associação, Paola Falceta.

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15 motivos para participar da Festa da Uva

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Certamente essa lista poderia ser muito maior! A quantidade de atrações da 34ª Festa da Uva é imensa, além de muito variada. Crianças e adultos, residentes da cidade e visitantes de longe, todos encontram alguma opção que lhe agrade, seja gastronômica, cultural, artística, etc. Selecionamos aqui apenas algumas alternativas para convidar quem ainda não participou e, por que não, quem já participou, para estar de novo na Festa. Te esperamos até 3 de março!

Ela, a rainha Uva

Que variedades de uva você conhece? Sabe onde são produzidas em Caxias? No mezanino do Centro de Eventos, a Exposição de Uvas exibe as variedades produzidas na cidade. As amostras participaram de um concurso prévio, e as vencedoras estão identificadas. A exposição é uma forma de valorizar nossos viticultores e apresentar ao público o motivo maior da nossa Festa.

Mas a uva, claro, não é só para olhar. Antes de chegar ao mezanino, logo na entrada do Parque de Exposições, você já terá sido agraciado com um cacho prontinho para saborear. E como se precisasse, o cheirinho de uva ao passar sob o parreiral na entrada do Centro de Eventos se encarregará de abrir seu apetite.

Elas, as soberanas

Beleza, sorrisos, simpatia. Em algum momento, na visita aos pavilhões, você vai se deparar com a rainha Lizandra Chinali, as princesas Eduarda Ruzzarin Menezes e Letícia de Carvalho ou com alguma das 12 embaixatrizes da Festa Nacional da Uva.

Também é possível viajar pela história da Festa. Uma galeria no Centro de Eventos exibe as fotos oficiais de todos os trios da história do evento. Um pouco mais adiante, no pavilhão 1, tem as exposições de fotos das ex-rainhas e de vestidos utilizados por algumas soberanas.

Vila dos Distritos

O melhor do nosso interior está na vila dos distritos, certamente umas das atrações mais procuradas pelos visitantes na Festa da Uva. Representantes das subprefeituras trazem a gastronomia, a diversão e a cultura e a arte dos nossos antepassados para o espaço.

A grande atração culinária do espaço é a deliciosa polenta brustolada, com queijo e salame, frita na chapa – e na hora. Um prato serve bem a duas pessoas, mas com gostinho de quero mais.

Foto por Bibiana Ribeiro Mendes

A Festa vista de cima

Tem até esportes radicais para surpreender os visitantes da Festa. Na estrada do Parque é possível andar de tirolesa, fazendo o trajeto sobre o pórtico. Uma estrutura robusta que diverte quem gosta, mas nem tão grande, para que possa encorajar quem nunca se aventurou e vai ter na Festa da Uva sua primeira experiência.

Outra opção, esta já tradicional na Festa da Uva, é o passeio de helicóptero, oportunidade única também de ver a Festa – e a cidade – de cima.

Foto por Rodrigo Rossi

Praça das cidades

A Praça das Cidades é um espaço onde municípios da região estão reunidos para mostrar as atrações dessas localidades. Quando iniciou, a Festa da Uva teve a participação de 10 municípios da Região, que foram convidados a estarem presentes no evento deste ano, assim como outras cidades da região e do litoral.

Vila das Cervejas

Festa da Uva não é só para apreciadores de vinho. A cerveja ganha cada vez mais espaço em Caxias do Sul e região, onde produtores artesanais acumulam prêmios pela qualidade. E, é claro, não poderia faltar um espaço nobre no Parque de Exposições. A Vila das Cervejas fica no fim do pavilhão 2, onde apropriadamente um chope gelado te espera após a caminhada pela exposição. E outra: fica bem perto da feira multisetorial e em frente à área de recreação.

Foto por Bibiana Ribeiro Mendes

Corso alegórico

Uma tradição de décadas que leva a Festa da Uva para o centro da cidade e, ao longo dos anos, deixou de ser um desfile de carros para se tornar uma produção mais elaborada com alegorias, coreografias, iluminação cênica, etc. Neste ano o desfile, que conta com cerca de 1,3 mil artistas e figurantes, foi dividido em três quadros: Cucagna ndove se Sogna; Cucagna ndove se Manga; e Cucagna ndove se fà Festa.

O desfile termina com um grande baile onde todo o público é convidado a participar. Vem dançar e se emocionar!

Estão previstos desfiles ainda nos dias 21, 25 e 28 de fevereiro e 2 de março. O pré-desfile inicia às 19h e o desfile às 20h.

Foto por Rodrigo Rossi

Shows nacionais e locais

Depois do sucesso da boiadeira, faça-se a luz. A próxima atração nacional da Festa da Uva é o mundialmente reconhecido DJ Alok (cujo nome significa “luz” na língua sânscrita). O brasileiro sobe ao palco no sábado, dia 24, mesmo dia do rapper Felipe Ret, nome forte na cena nacional. No dia 2 de março, será a vez de expoentes de dois dos gêneros mais populares do país: o sertanejo de Bruno e Marrone e o pagode do Raça Negra. Os ingressos para esses shows garantem acesso ao parque de exposições.

Além das atrações nacionais, a Festa da Uva 2024 preparou um extenso calendário de apresentações artísticas e culturais para os 18 dias do evento. São mais de 3 mil artistas responsáveis por 941 apresentações, que estão sendo realizadas em 12 locais fixos distribuídos entre as Estações, as Réplicas, no Restaurante e no Salão da Igreja. Há opções para todas as idades, desde corais, grupos de dança, grupos de câmara, instrumentais, gaúchos, teatro e teatro de bonecos. Todas as apresentações são gratuitas.

Gastronomia e Agroindústrias

E o que dizer das delícias que são encontradas na Festa? Além da farta gastronomia já esperada, característica da região, há opções diferentes e criadas especialmente para o evento, como pastel de fortaia, pastel de polenta e sonho com geleia de uva, apenas para citar alguns.

Há opções de mini restaurantes que servem pratos típicos, lanches e doces, entre outros.

E é no espaço das agroindústrias que as delícias do interior podem ser adquiridas para levar para casa. As opções vão de compotas a salame e queijos, além de geleias, massas e biscoitos. É delícia que não termina mais!

Acessibilidade nos Pavilhões e nos desfiles

Esta edição da Festa da Uva deu ampla atenção às pessoas que precisam de atendimento especial e, por isso, a acessibilidade tem sido uma prioridade tanto nos Pavilhões e nos shows quanto no corso alegórico. Foram disponibilizados 1.500 ingressos de acesso ao parque para PCDs. Eles podem ser retirados em bilheteria específica na entrada do parque após cadastro. É necessário apresentar um documento e comprovante da deficiência (como um laudo médico). E se o PCD precisar de acompanhante, o ingresso deste também é gratuito. O parque também conta com rampas de acesso e cadeiras de rodas à disposição.

Nos desfiles alegóricos também há transmissão em libras e audiodescrição, além de uma área especial para os PCDs acompanharem o espetáculo.

Espetáculo Som e Luz

Retomado nesta edição da Festa sob responsabilidade do Sesc, o Som e Luz é um espetáculo que engloba sonorização, imagens e coreografias para contar a história de nossos antepassados imigrantes. Realizado pelo Sesc/RS em parceria com a Comissão Comunitária da Festa. A nova leitura, intitulada “Oblívio”, traz artistas circenses, bailarinos e músicos locais.

Estão agendadas apresentação ainda nos dias 20, 22, 23, 24, 26, 27 e 29 de fevereiro e 1º de março, sempre às 20h. Ingressos: a partir de R$ 5, no site www.sesc-rs.com.br/espetaculosculturais, no Sesc Caxias do Sul (rua Moreira César, 2462) ou na bilheteria do Som e Luz.

Horti Serra Gaúcha

A próxima edição do Horti Serra Gaúcha está prevista para março de 2025, mas a Festa da Uva dá uma amostra do que faz Caxias do Sul ser o maior produtor de hortifrutigranjeiros do Estado. O estande do Horti Serra na Festa apresenta as principais culturas produzidas no município e inovações tecnológicas que auxiliam nesse cultivo.

Feira Multissetorial e Feira de Artesanato

Uma lembrancinha da Festa também tem o seu valor. A feira multissetorial tem uma variedade de expositores de comércio, malharias e confecções, além de utensílios, brinquedos, entre outros.

Feira de Artesanato – A Festa da Uva conta com uma Feira de Artesanato composta por mais de 400 expositores. São artesãos locais que mostram todo seu talento e arte em espaços compartilhados. Eles comercializam diversos tipos de produtos confeccionados manualmente.

Foto por Bibiana Ribeiro Mendes

Jogos Coloniais

É nos jogos coloniais que inicia a Festa da Uva. As divertidas competições como arremesso de queijo e pisa de uva iniciam antes do evento propriamente dito, e ocorrem aos finais de semana nos distritos. Os vencedores de cada etapa se reúnem na final da competição, que será realizada dia 3 de março, em frente à Catedral. O prêmio é de R$ 10 mil e será destinado a uma das escolas da localidade campeã.

Foto por Samuel Rodrigues

Espaço Téti

É um espaço pensado especialmente para as crianças dentro da Festa. O projeto é desenvolvido para encantar crianças de 0 a 12 anos, um local de acolhimento, cultura, interação e diversão para entre as famílias. O Téti conta com um palco na Festa da Uva com atrações e brincadeiras pensadas especificamente para as crianças e famílias.

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Laçadores caxienses recebem reconhecimento da Prefeitura pela representatividade no 35º Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria

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Certificado Amigo do Esporte foi entregue nesta terça-feira (20/02), pelo prefeito Adiló Didomenico e pelo secretário do Esporte e Lazer, Gabriel Citton

Na manhã desta terça-feira (20/02), o prefeito Adiló Didomenico, junto ao secretário do Esporte e Lazer do Município, Gabriel Citton, realizou a entrega de certificados Amigo do Esporte a dois caxienses, pela representatividade no 35º Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria. O encontro, realizado no Salão Nobre do Centro Administrativo, reuniu os laçadores Joelsio Andrade e Luan da Silva, que conquistaram título na categoria “Laço Dupla Força A”, durante o evento que ocorreu entre 3 e 11 fevereiro do presente ano.

Também estiveram presentes o diretor-geral da Smel, Francis Cerutti, amigos e familiares dos homenageados.

Joelsio, que também conquistou o título na categoria “Laço Pai e Filho”, junto ao pai, João Andrade, destacou a importância do reconhecimento aos atletas e à modalidade. “Ter o reconhecimento da cidade, a gente que representa Caxias por todos os lugares que vai, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso… Receber esse reconhecimento é muito importante”, comentou.

“É um sentimento muito gratificante! Além de a gente ter conseguido o título, foi uma linda homenagem que fizeram pra nós. É muito gratificante representar a cidade neste grande rodeio, que é copa do mundo do laço”, finalizou Luan.

Certificado Amigo do Esporte

Previsto na Lei Municipal 7.699, de 2013, de autoria do vereador Felipe Gremelmaier, o Certificado Amigo do Esporte (CAE), tem o objetivo de valorizar aos apoiadores, atletas e profissionais do esporte no Município.

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Ação arrecada 1,2 mil quilos de alimentos na Festa da Uva

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Volume das doações do público do evento surpreendeu positivamente

A Diretoria de Segurança Alimentar e Nutricional/Banco de Alimentos da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Smapa) arrecadou 1,2 mil quilos de alimentos nesta segunda-feira (19/02), na entrada do Parque de Eventos da Festa da Uva. O público aproveitou o dia de acesso gratuito ao evento e doou diversos gêneros alimentícios (o que não era obrigatório). A equipe vai repetir a ação no próximo dia 26/02, quando também haverá entrada franca.

O resultado da ação surpreendeu positivamente a equipe. “As doações superaram nossas expectativas e o Banco de Alimentos agradece aos visitantes pela solidariedade”, afirma a diretora de Segurança Alimentar e Nutricional, Cristina Fabian Gregoletto.

Todos os gêneros alimentícios arrecadados durante a Festa da Uva serão destinados às 112 entidades cadastradas no Banco de Alimentos. Desde sua criação, em 2005, o Banco já distribuiu mais de 12 milhões de quilos de alimentos a famílias do Município. O programa tem como objetivo evitar o desperdício de alimentos e promover a segurança alimentar da população em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar.

Quem quiser ser voluntário no Banco de Alimentos e demais Programas de Segurança Alimentar, pode entrar em contato pelo fone/WhatsApp (54) 98429-6291.

Fotos: Smapa

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